Blog da Transporte Ativo
31mar/116

Medo não muda nada

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Contagem Túnel Velho

Sobre a "Cultura do Medo", livros foram escritos, teses, mestrados doutorados. Mas ciclistas apocalípticos que pedalam em condições longe da ideal sempre acabam ouvindo a mesma pergunta:

- Mas você não tem medo?

Quem nunca ouviu essa pergunta, ou a sua variante: "Mas não é perigoso?", que atire o primeiro pedivela. Mas não vale escrever mais um livro sobre isso. A única resposta possível é a mais óbvia:

- A percepção do medo é sempre subjetiva e quanto mais bicicletas nas ruas, mais seguro para todos.

Liberdade é um exercício cotidiano praticado individualmente. O exemplo da primeira foto que ilustra esse post é de uma imagem corriqueira no Rio de Janeiro, registrada durante uma contagem fotográfica no túnel Velho em Copacabana. Pode parecer perigoso, mas o risco real e a percepção dele ao longo dos anos é que mudou. As bicicletas continuam bem parecidas.

Por exemplo, na outra boca do túnel:

túnel Velho - 1927
Foto de Augusto Malta - via: foi um RIO que passou

Entre os mais de 80 anos que separam as duas imagens nossas cidades mudaram para pior. As bicicletas são uma das ferramentas para as mudanças positivas e para usá-las mais, o mito do medo precisa ser derrotado. Para isso não adiantam estatísticas que comprovem a acidentalidade de veículos automotores ou pedestres. Precisamos apenas de mais vida nas ruas.

Primeiro mudam os cidadãos, com o tempo muda a infraestrutura das cidades. Pedalemos!

Outra leitura:
Fear is the mind killer - Cyclelicio.us

Relacionados:
- Barreiras Psicológicas
- Valores democráticos nas ruas

10mar/111

Espaço público e demanda reprimida

Bicicleta e fantasia de carnaval - Copacabana

Carnaval é festa da carne, mas também festa das ruas. Os pequenos, grandes e gigantescos blocos ao redor do país mostraram isso.

Durante os quatro dias de festa e folia as ruas tornam-se espaços exclusivos para a circulação, ou simples presença de uma massa de pedestres. Os dois milhões do cordão do Bola Preta no Rio de Janeiro evidenciam que turistas e moradores das cidades anseiam por espaços públicos para a celebração.

Apesar da beleza das festas e das ruas exclusivamente para as pessoas, o carnaval concentra gente demais em um espaço físico muito restrito e em pouco tempo. Os banheiros químicos que não atendem à demanda e a quantidade de lixo nas ruas que o digam.

Passada a festa, fica a lição para o dia a dia. Com espaços públicos de qualidade ou simplesmente abertos e seguros para as pessoas, teremos ruas mais vivas. Uma população mais feliz e saudável.

Mulher Maravilha - Capitão América - Skate e Carnaval

No Rio de Janeiro os blocos se espalharam por toda a cidade, abrindo ruas para as pessoas e impondo restrições à circulação de veículos motorizados. Ainda assim, o intenso ir e vir de foliões pode seguir sempre. O transporte público e os táxis ajudaram nos deslocamentos, mas o número de viagens à pé em tempos de folia foi representativo, como sempre.

Avenida Atlântica - Copacabana - Carnaval

As dificuldades para a circulação motorizada não precisam ser tão grandes e nem a quantidade de pessoas a tomar as ruas. Mas nossas cidades precisam entender que o carnaval pode e deve se espalhar para além da quarta-feira de cinzas. Com espaços públicos de qualidade a total prioridade para a circulação de cidadãos.

- Posts relacionados:

- Carnaval, democracia nas ruas
- Folia e Demanda nos Transportes
- Crônica Carioca
- O valor de andar a pé

25fev/112

Novos bicicletários nas ruas

No Rio de Janeiro, hoje, se alguém ou alguma empresa quiser pedir a instalação de um bicicletário na rua, é um procedimento um tanto complicado.

Para mudar esta situação, a Prefeitura está preparando um novo modelo para pedidos de bicicletários.

A Transporte Ativo e a Coordenação do Programa Cicloviário estão trabalhando em conjunto para estabelecer novos procedimentos. O GT Ciclovias está preparando um documento com modelos e padrões que serão adotados pela prefeitura carioca na instalação de bicicletários em logradouros públicos.

O condomínio comercial Cidade do Leblon está participando como projeto-piloto. O bicicletário instalado num dia já era sucesso de público no dia seguinte.

Bicicletário no Cidade Leblon

bicicletário U-invertido no Cidade Leblon

Foram seguidos os padrões indicados nos manuais publicados pela TA, com opção para o suporte U-invertido (também conhecido como Sheffield).

suporte U-invertido ou Sheffield

Uma foto colocada no post Quanto custa um bicicletário inspirou o condomínio a fazer uma melhoria no suporte. Um adesivo plástico grosso foi colocado nos pontos onde o quadro da bicicleta encosta no suporte.

adesivo plástico para proteger a bicicleta

Desta forma, tanto a bicicleta quando o suporte ficam protegidos.

Agora você já pode estacionar sua bicicleta no Edifício Cidade do Leblon, na sombra e com segurança. O bicicletário fica em frente à entrada principal, onde há sempre seguranças.

Esperamos que este exemplo se repita pela cidade e que a iniciativa da prefeitura, de facilitar a instalação de bicicletários, torne mais fácil e seguro estacionarmos nossas bicicletas no Rio de Janeiro.

31jan/110

As cidades somos nós

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A exposição Our Cities Ourselves chega ao Rio como As Cidades Somos Nós e apresenta projetos urbanísticos criados por dez escritórios de arquitetura de diversos países, com base nos princípios de design urbano elaborados pelo ITDP. Vista pela primeira vez em Nova Iorque, em setembro último, a exposição multimídia será exibida agora, simultaneamente no Rio de Janeiro e na Cidade do México.

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Clique na imagem acima para visualizar o convite.

Visite o blog oficial do evento em ascidadessomosnos.org

melhor visualizado com Mozilla ou Chrome

Mais no blog: Nossas cidades nós mesmos. Com os 10 Princípios para o Transporte na Vida Urbana.

Pra quem quiser ir pedalando ao evento, uma galera combinou de sair da loja Pedal 2, na Rua Correa Dutra 16-B, Catete, às 19 horas. É só chegar.

26dez/101

Natal para as pessoas

Natal sem carro Copacabana

O tradicional show de Natal do rei Roberto Carlos teve seu palco em plena praia de Copacabana. Um cartão postal da cidade e um ícone brasileiro, juntos.

Para que o público estimado de 1 milhão de pessoas pudesse assistir ao show e circular pelo bairro, a Prefeitura do Rio montou um esquema especial de circulação. A partir das 15hs, o acesso de automóveis particulares em Copacabana ficou restrito. Uma medida simples que desagradou alguns, mas foi responsável pela facilidade de circulação de todos. Mais pessoas puderam circular, apenas os motoristas tiveram de escolher outro meio de transporte.

Os moradores de Copacabana e a população flutuante já sabem que o bairro é pouco convidativo à circulação de automóveis. A falta de espaço nas ruas e para o estacionamento é o principal problema. Reza a lenda que se todos os moradores saíssem, a pé, de seus apartamentos, não haveira espaço nas ruas do bairro.

Refletindo em relação ao problema e fazendo as contas a conclusão é simples. O automóvel particular, veículo individual de uso no espaço público, infelizmente não tem vez nas ruas de Copacabana. Seja no cotidiano, ou principalmente na realização de grandes eventos. E para que todos possam ter garantido o sagrado direito de ir e vir, é preciso que seja restringida a circulação de carros, e somente deles.

Assim foi feito. Os cariocas ganharam um show de presente, a cidade reforçou seu caráter de palco mundial de rara beleza. A contrapartida foi deixar o carro na garagem ou fazer uso dos transporte ativos, transporte público ou táxi.

16dez/100

Feliz da Vida

'O que você quer ser quando crescer?'
A pergunta que os adultos fizeram pra nós quando éramos pequenos, geralmente recebia respostas ligadas a profissões: bombeiro, médico, professora, domador de leões... Nessas horas a imaginação infantil nos deixava para ser uma imaginação da vida de adultos.
E aí as crianças crescem e querem aquilo que tinham quando eram pequenas. Geralmente algo bem simples e divertido como brincar na rua! A liberdade daquele espação, pra correr, pular, pedalar, patinar, gritar, dançar, pintar e se sujar à vontade. É a vida sem eira nem beira, pura diversão, gargalhadas mil no espaço mais popular da cidade como se não houvesse amanhã.
Ah, se essa rua fosse minha...

Olha que legal a criançada curtindo pra valer:

Playing Out from Paul Gilbert on Vimeo.

Veja também:

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Camisetas de Patins Customizadas, no Rio de Janeiro.

27out/101

A síndrome de hamster

Há algum tempo atrás, nasceu o termo "geração saúde", eram pessoas que buscavam alimentação saudável, exercícios físicos, uma vida ativa.

As academias de ginástica souberam "explorar esse mercado". Daí para invenções bizarras e adaptações de exercícios físicos ao ar livre foi uma evolução gradual e que desnudou um processo negativo de transformação das pessoas em "hamster de laboratório".

A bicicleta perdeu rodas e virou ergométrica, a corrida passou a ser feita em uma esteira eletrônica e até inventaram uma máquina de subir escadas sem sair do lugar, o transport.

Claro que existem diversos pontos positivos em lugares fechados para a prática de atividades físicas. No entanto é de fundamental importância que as pessoas possam usufruir de espaços públicos e abertos para a prática de esportes ou atividades físicas.

O horizonte de possibilidades é vasto e cada corredor amador que treina depois do trabalho pelas calçadas do bairro ou o ciclista solitário que se lança veloz por estradas e pistas expressas são a representação de uma demanda reprimida.

Investir em espaços públicos ajuda a melhorar a mobilidade e a saúde da população. Investimento de duplo retorno para o poder público e que de quebra combate a síndrome de hamster.

O futuro já está sendo da retomada das ruas. Não é de se estranhar que até mesmo máquinas de simular subir escada possam ganhar rodas e serem usadas para o deslocamento.

Vídeo via: Update or Die!

Relacionados:
- Ciclistas Apocalípticos e Integrados
- Esporte e Transporte
- Esporte e o futuro das cidades

25out/102

O direito inalienável de se desengarrafar

Ciclofaixa
ci38, Foto de www.transitoaovivo.com.

Uma das graves distorções que tem acometido nossos cidadãos é confundir a mobilidade individual motorizada com um direito. Ir e vir é sim um preceito constitucional. Ir e vir de carro, não.

Moema tem as condições ideais de ser um bairro modelo para uma nova São Paulo. Ruas tranquilas e largas que seguem paralelas as grandes avenidas. O compartilhamento entre veículos motorizados e bicicletas nas vias internas do bairro é uma abordagem interessante para facilitar os deslocamentos e diminuir os congestionamentos constantes.

Um plano modelo de circulação de bicicletas, desenvolvido pela TCUrbes, está sendo analizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e uma notícia já saiu nos jornais. Da reportagem entitulada "Projeto põe ônibus e bicicleta na mesma faixa", surgiu a polêmica em relação as futuras ciclofaixas de Moema.

A viabilidade e vantagens da bicicleta já tem sido comprovada aos domingos. Há exatamente um ano, a ciclofaixa de lazer ajudou a impulsionar o fluxo de ciclistas. Alguns aproveitam para repor energias nos restaurantes ao longo do trajeto e tem até concessionária de automóveis que oferece água para chamar a atenção dos "ciclistas-consumidores".

Durante apenas 7 horas na semana, ciclistas já começaram a impor uma pequena revolução. Trata-se de uma transformação na circulação, mas principalmente uma melhoria na qualidade de vida dos moradores e da cidade.

Mais bicicletas circulando, também durante a semana, irão garantir a construção de uma cidade com mais qualidade de vida, com um trânsito mais amistoso. Uma cidade na qual comerciantes poderão ter mais espaço para seus produtos ao invés de lojas funcionando como ilhas de prosperidade cercadas de carros por todos os lados.

É preciso coragem dos administradores e dos técnicos de trânsito para implementarem mudanças. Mas também é preciso informar com clareza o caminho que se pretende tomar. Assim a oposição as soluções alternativas poderão ser transpostas com mais facilidade.

Foram décadas para sufocar a cidade em engarrafamentos sem fim. Serão mais alguns anos para que se construa um trânsito livre e é esse o direito inalienável pelo qual todo paulistano, de nascimento ou por adoção, deve lutar. Sem distinção de bairro ou condição social, o ir e vir é inalienável e políticas que facilitem o fluxo de pessoas em bicicleta irão beneficiar a todos.

Outras opiniões:

- “Por que punir Moema com ciclovia ?”
- Campanha: PUNAM O MEU BAIRRO
- How bike lanes and sharrows are born in Pittsburgh

Relacionados:
- Espaço público em debate
- Mais espaço para a circulação
- Uma Solução Pronta
- Fatores Objetivos para Construção de Ciclovias

23out/102

Maneiras de encararar um problema

Airbag bicicleta

Foto: Divulgação - Hovding.se

A segurança é sempre uma preocupação constante das pessoas, mas trata-se de um conceito complexo e difícil de ser medido. Uma "sensação" não tem escala definida nem números que possam comprovar sua eficácia, é apenas uma percepção difusa que muda dependendo do contexto.

No trânsito, segurança é ainda mais complexo e muitas vezes pode-se optar em proteger o touro que circula na loja de cristais ao invés de domá-lo. Circula na internet um vídeo que é a exemplificação de como não proceder para salvar vidas e reduzir danos no trânsito.

Trata-se de mais uma maneira cara e ineficiente que profissionais de design buscam "revolucionar a bicicleta". Os exemplos são inesgotáveis e alguns são mais divertidos, outros menos.

O revolucionário sistema de cobrir a cabeça de um ciclista com um bóia inflável é exatamente como deixar livre o touro da loja de cristais e envolver todos os produtos em metros de plástico bolha. Solucionar o problema é acessá-lo por um caminho totalmente distinto.

Dispositivos de segurança passiva em automóveis são úteis e benéficos nas pistas de corrida. Nas ruas tendem a induzir excessos dos motoristas e aumentar os danos e custos sociais do trânsito por incentivarem a imprudência.

Por hora, melhor usar o capacete bóia para flutuar depois dos saltos no lago do post anterior.

Relacionados:
- Segurança dos Ocupantes
- Confissões de um Atropelador
- Em favor das reduções de velocidade

27set/102

Os Legados do 22 de Setembro

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Av. Graça Aranha, Centro do Rio, 22 de setembro de 2010 às 14hs.

A cada ano o dia 22 de Setembro vem sendo comemorado em mais cidades, e por mais segmentos da sociedade.
Data de reflexão, tem sido um bom pretexto para que a cidade do Rio de Janeiro deixe alguma marca que permaneça além deste dia.

Em 2009 foram lançadas as Zonas 30 de Copacabana e em 2010 nove novas Zonas 30 foram implantadas, abrindo espaço para um convívio mais harmônico em diferentes pontos da cidade.

O sucesso da edição Carioca também se percebe no Centro da Cidade. As ruas da Alfandega e Buenos Aires, áreas onde o estacionamento foi proibido no dia 22, serão agora permanentes, dando sequencia à reflexão do Dia Mundial sem Carros.

A cada ano mais espaço público, mais reflexão sobre mobilidade e mais cidadãos entendem e adotam as idéias experimentadas neste dia para que um dia não seja mais necessário fazer 'um dia sem carro' pois todos os dias serão ótimos para se viver nas cidades curtindo a pleno o direito de ir e vir.