Mais espaço para pedestres
Aos poucos Brasília pode deixar de ser apenas uma "cidade feita para carros". Embora historicamente a mobilidade seja tratada com alargamento de vias e construção de viadutos, há sinais de que alguma coisa está mudando na cidade.
Estão acontecendo obras de melhorias para os pedestres em pleno Setor Comercial Sul, área crítica sempre citada na mídia pela falta de vagas e carros estacionados sobre calçadas. Nestas obras, que inclui ampliação das calçadas, estão sendo tomadas vagas de carros!

A foto mostra um calçada sendo construída próximo ao Hospital de Base. Foram tomadas pelo menos 10 vagas de carros, num local onde a procura por espaço chega a virar discussão raivosa entre motoristas.

Esta outra foto mostra uma calçada com cerca de 50 metros, onde antes só havia estacionamento. Foram eliminadas no mínimo 20 vagas para dar mais espaço ao pedestre. E não é só: a calçada terá piso tátil, canteiros e árvores.
Em todo Setor Comercial Sul, calçadas e áreas de pedestres estão sendo revitalizadas, com alargamento, nova concretagem e instalação de piso tátil e rebaixamentos. Estas duas últimas características leva-nos a crer que a CPA está envolvida nestas melhorias.
A Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) é um órgão vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma) e tem por finalidade acompanhar o desenvolvimento do Programa de Governo “Acessibilidade: Direito de Todos”.
Cada metro destinado ao pedestre torna a cidade melhor. Ainda falta muito. Uma sucessão de equívocos levou a cidade ao caos, a ponto de um administrador admitir que "a cidade hoje está escondida atrás dos carros".
Mas sempre é o momento de recomeçar, de refazer, de mudar a direção e pensar no futuro que se faz hoje. A semente da mudança pode estar em uma única pessoa, num único órgão; mas se germinar com vigor, vira árvore e floresta.
Um dia em Copenhague
Simplesmente muitas pessoas em diferentes bicicletas, muitas vezes. Assim é o dia a dia em Copenhague.
E é apenas o primeiro dia do Velocity 2010.
Árvores, ar e planejamento urbano
A natureza nos presta grandes serviços sem cobrar nada. É a chuva que lava o ar que respiramos, trazendo de volta as toneladas de fumaça que mandamos para os ares.
Mas a água com a qual contamos para lavar a sujeira que emitimos tem um ciclo próprio. No sudeste brasileiro é no inverno que chove menos. Frio e o clima seco se somam para prejudicar a saúde da população.
Muitos morrem e outros tantos acabam com pulmão de fumante compulsivo sem tragar um cigarro sequer. E a culpa certamente não é do inverno, mera estação do ano, processo cíclico de bilhões de anos.
O ar que se respira em São Paulo
E é justamente durante o inverno que recomeça a repercussão do discurso de que a qualidade do ar e a baixa umidade são motivos para que as pessoas se abstenham de fazer atividades físicas. Mas pouco se fala em medidas que efetivamente possam evitar que a qualidade do ar se torne péssima.
O rodízio de veículos foi implementado também para diminuir os efeitos da poluição. O envelhecimento e aumento da frota neutralizaram os efeitos benéficos para a qualidade do ar. No entanto uma medida fundamental do planejamo urbano pode e deve ser mais utilizada, a arborização. Cinco benefícios fundamentais são:
- Filtragem do ar
- Regulação do micro-clima nas ruas e na cidade
- Redução da poluição sonora
- Drenagem da chuva
- Recreação e preservação de valores culturais
Viver em uma cidade não é fácil, mas os benefícios compensam para a maioria da população, nem que seja para viver com pouca qualidade de vida, mas com a subsistência garantida. A construção de políticas públicas para garantir a qualidade de vida dos urbanóides é condição fundamental para que as cidades possam continuar a existir. E a vida humana necessariamente precisa dos serviços da natureza, seja a chuva que lava os ares os a árvores que regulam o clima.
Mais:
- Mapa da qualidade do ar em São Paulo
- Ecosystem services in urban areas - Bolund
Relacionados:
- Bicicletas e a natureza das cidades
- O ambiente natural e as cidades
- Geologia, engenharia e harmonia
Devagar também nas estradas
Um estudo preliminar holandês concluiu o que qualquer motorista atento ao consumo de combustível sabe, ir devagar na estrada ajuda a economizar. Ao manter velocidades menores durante uma viagem, é possível também diminuir as emissões de CO2.
A tese que os pesquisadores da CE Delft levantaram é que trata-se de uma boa política pública reduzir os limites de velocidade nas estradas. Para emitir menos CO2 e portanto contribuir menos para o aquecimento global. Os ganhos podem chegar a 30% com a redução do limite de velocidade para 80 km/h nas auto-estradas. Vale lembrar que em muitas estradas brasileiras o limite para veículos pesados já é de 90 km/h.
Vale destacar os custos e benefícios:
CUSTOS SOCIAIS:
- Maior tempo de viagem
- Redução no índice de passageiros transportados/veículo/quilômetro
- Custos de fiscalização
BENEFÍCIOS SOCIAIS:
- Redução da emissão de CO2
- Redução na emissão de poluentes
- Redução da poluição sonora
- Aumento da segurança viária
- Redução dos congestionamentos
- Diminuição nos gastos com infraestrutura
- Economia de combustível
Transplantando esse estudo para a realidade brasileira, os benefícios podem ser ainda maiores. Tanto por salvar vidas nas estradas e também por tornar possível igualar a velocidade máxima dos veículos leves e pesados.
Para ler o resumo:
- Why slower is better
(via treehugger)
Relacionados:
- Visão Zero
- Em favor das reduções de velocidade
- Um número mágico
Bicicletas para a saúde
O Governo de Alagoas anunciou a entrega de 5.300 bicicletas para as ações no Programa Saúde da Família nos 102 municípios do estado.
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A intenção é garantir melhor meio de transporte dos agentes comunitários de saúde. A demanda surgiu entre os próprios agentes que, durante o Fórum Viva Vida, falaram das dificuldades que encontravam para atender as famílias e realizar as visitas periódicas necessárias, pois muitas pessoas a serem visitadas residem em localidades distantes.
O objetivo do governo, com esta iniciativa, é ampliar a cobertura à assistência as gestantes, crianças e idosos, contribuindo para redução dos índices de mortalidade infantil e melhoria da qualidade do atendimento à população
Myrna Pimentel, diretora de Atenção Básica
Quando falamos em bicicletas e sustentabilidade, não pensamos apenas no meio ambiente. Sustentabilidade é um conceito necessário em condições de escassez de recursos ou, de outra forma, é usar os recursos disponíveis com eficácia, efetividade, sabedoria.
Em locais tão díspares como Londres, na Inglaterra; Kaberamaido, Uganda; ou vilarejos longínquos no Nepal, a bicicleta dá sua fundamental contribuição para o sistema de saúde.
when looking at ways of providing patient care in the city it was clear that bicycles were the most effective way to get to the parts of the city normal ambulances couldn't reach
Wayne Badcock, St John Bicycle Ambulance Service
É mais do que sabido que usar a bicicleta é ótima escolha para melhorar as condições pessoais de saúde. Combate doenças, contribui para diminuir o peso, aumenta a força e a condição física. Reveja aqui.
Mais do que tratar doentes, um sistema de saúde eficiente passa antes por medidas de prevenção bem feitas. Ao fornecer agilidade aos agentes comunitários, mais pessoas podem ser atendidas em menos tempo, ampliando o leque de atuação dessas medidas preventivas de saúde. Da mesmíssima forma, se as cidades tomassem medidas preventivas no trânsito, nossas ruas não precisariam ser levadas para a UTI dos engarrafamentos.
A bicicleta está aí, disponível para ser adotada em soluções inteligentes como esta adotada pelo governo alagoano.
Mais:
Quem pedala vive mais
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Bonita, saudável, sexy
Tudo que a Bicicleta pode Ser
Contagem fotográfica de bicicletas

A contagem fotográfica de bicicletas foi desenvolvida pela Transporte Ativo para proporcionar um método fácil, barato e alternativo, que une o baixo custo e a flexibilidade das contagens manuais e a confiabilidade dos processos automáticos.
Como forma de facilitar a execução deste tipo de contagem, por outras organizações, em qualquer lugar do Brasil, decidimos produzir e publicar o Manual de Contagem Fotográfica. Ao mesmo tempo, construímos um mini-site, onde colocamos o Manual online (faça o download do pdf), mais os modelos base de planilhas, do relatório e o formulário para contagem.
É ideal que o uso da bicicleta seja mensurado antes e depois da introdução de novas medidas. Isso se aplica tanto a campanhas educativas, construção de infraestruturas, ou mudanças em políticas cicloviárias. Contagens posteriores ajudam a justificar despesas e/ou atividades e também contribuem para demonstrar o valor de investimentos adicionais.
Contagens de bicicleta são interessantes não somente para engenheiros de trânsito e planejadores urbanos. Os dados podem ser úteis também para agentes de saúde, interessados em promover estilos de vida saudáveis. O número de ciclistas em idade escolar é fundamental para programas de educação para o trânsito ou implantação de rotas seguras para a escola. A polícia pode encontrar, nos dados coletados, bons motivos para reforço do policiamento e da segurança na região. Os benefícios são incontáveis.
Nosso objetivo final é que ciclistas possam ter um diálogo produtivo com técnicos da prefeitura, balizado em números e imagens irrefutáveis.
Mais: o que já foi publicado aqui sobre contagens.
Fotografias e cidades em duas rodas
Two Wheel Cities from Donald Hung on Vimeo.
Acima um "retrato em minutos" de Bristol e Amsterdã. Um pouco como uma contagem fotográfica, mas sem as doze horas tradicionais.
Two Wheel"s" City from Donald Hung on Vimeo.
No outro vídeo, dois percusos pedalados e fotografados. Dessa vez em Copenhague e Bristol.
O paraíso das bicicletas se prepara
Em Copenhague, 37% das viagens para estudos ou o trabalho, são feitas em bicicleta. A cada nova ciclofaixa, o trânsito de bicicleta cresce 20% e o de motorizados diminui em 10% na via.
Além de tudo isso, de 22 à 25 de junho, a cidade sediará o Velocity Global 2010. Nada menos do que a maior conferência de bicicletas do mundo. Dentre os participantes, estarão três promotores da bicicleta do Brasil. Zé Lobo, pela TA, Leandro Valverdes em nome da Ciclocidade e o Cláudio Silva, do programa Bicicleta Brasil do Ministério das Cidades.
Boas pedaladas para quem embarca e que as cidades do mundo seja a cada dia um pouco mais Copenhague.
Relacionados:
- Estilo para promover a bicicleta
- Lições de Copenhague





