Bicicletas e a natureza das cidades
Ciclistas apocalípticos certamente são desbravadores do espaço urbano que descobriram, pelas bordas, como transitar pelas ruas e avenidas de qualquer cidade e esse é um ponto de inflexão fundamental. A bicicleta não é ato heróico de um pequeno grupo, mas uma demanda reprimida por uma parte considerável da sociedade.
A consciência ambiental e a necessidade de diminuir, individualmente, os impactos negativos sobre o meio ambiente pode ser um bom motivador para que mais pessoas pedalem, mas não é suficiente. Quem incorpora a bicicleta ao seu dia-a-dia pratica um desafio intermodal diário e comprova sempre que a bicicleta é um meio rápido e eficiente de ir de um lugar a outro.
Mesmo apesar do ditado, contra fatos, podem sempre surgir novos argumentos. Mas nada é capaz de atacar a maior vantagem da bicicleta, sua unicidade com o conceito milenar do que é uma cidade.
Desde antes de Roma, capital do Império, seres humanos se concentraram em um raio de 30 minutos de tudo o que precisavam. Ao longo do tempo os meios técnicos possibilitaram que a mesma meia hora de sempre se torna-se maior no espaço. As cidades se expandiram no ritmo dos motores que convertiam energia em movimento.
Foi essa capacidade técnica no entanto que nos trouxe até o colapso do modelo de cidade baseado na transformação de energia em movimento por meio de máquinas. A bicicleta é meio ideal, novamente pelas bordas, de reinventar as cidades com a atual estrutura que temos.
A velocidade média do trânsito motorizado chega a ficar abaixo dos 14km/h que um ciclista, qualquer ciclista, é perfeitamente capaz de desenvolver. Exatamente por isso a média de tempo gasto em deslocamento pelos paulistanos beira as 3 horas diárias. Tempo suficiente para que um ciclista percorra aproximadamente 42 quilômetros, um raio de ação considerável, mas que na verdade traduz quão demasiadamente espalhada está a população na região Metropolitana de São Paulo.
A bicicleta deve portanto ser ao mesmo tempo bússola para indicar para onde devem ir nossas cidades e um compasso, para traçar no mapa os círculos naturais que definam o tamanho dos pólos urbanos. Sejam eles bairros ou cidades em uma região metropolitana. Dentro desses círculos precisam estar as mesmas três milenares necessidades humanas de sempre: habitação, sustento e lazer.
Planejar cidades atualmente é apenas uma maneira mais complexa de fazermos o mesmo que sempre fizemos, desde o tempo das cavernas. A diferença é que pela densidade e diversidade, precisamos de mais ferramentas e mais inteligência para empregá-las corretamente.
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Perfil de ciclistas
Bicycle Portraits from Bicycle Portraits on Vimeo.
Dois amigos pela África do Sul, pedalam e conhecem outros ciclistas pelo caminho. É bom saber que por trás de objetos inanimados, existem as pessoas, seus rostos e sorrisos. O projeto Bicycle Portraits visa ser um livro sobre bicicletas em um país que não as fabrica e que tem graves problemas de mobilidade.
Justamente nas condições de maior disparidade econômica em que os mais pobres estão mais desassitidos é que a bicicleta revela seu grande potencial. Conheça mais no bicycleportraits.co.za.
Vídeo encontrado via Velorution.
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Bicicleta, a máquina
O cara é amigo de uma máquina, um objeto de metal, plástico e borracha, frio e sem vida...
Objetos inanimados são realmente, só objetos. Mas podem representar algo a quem os vê e usa, de acordo com as experiências e percepções sobre ele. E muitas vezes essa percepção é conflitante.
A Estátua da Liberdade, que representava a premissa da nação americana há séculos, pode, hoje, estar associada à guerra. Já o Muro de Berlim que já foi o símbolo da máxima opressão, derrubado, se tornou um marco na luta pela liberdade.
A bicicleta, por sua vez, nunca foi conflitate e sempre levou liberdade pra perto de quem a usa. E não é só isso. Na bicicleta vemos um brinquedo, uma forma de se exercitar, de se locomover, de viajar. Podemos usá-la pra experimentar altas doses de adrenalina ou para relaxar num suave passeio. Ela serve ao transporte de coisas, muitas coisas, qualquer coisa. Pode também servir a propósitos nobres: como é um veículo ágil pode ser polícia, ambulância, carro pipa e até socorro mecânico.
A bicicleta pode muito e pode surpreender ao te levar a lugares inusitados e a experiências incríveis, diria até inesperadas, mas destaco que ela pode fazer com que grandes amizades comecem.
Sou amigo da bicicleta e o Amigo da Bicicleta é meu amigo. Fico realmente muito feliz por ter amigos tão especiais e que eles sejam melhores amigos.
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Bazar de bicicletas a mais

E eis que não sobraram bicicletas encostadas no último Bazar de Bicicletas. Ganharam as ruas e são agora mais bicicletas para que mais pessoas pedalem mais vezes.
Elas já haviam sido pedaladas pelos clientes da Rio Bike Tour, mas estavam paradas há um tempo. Eram muitas e não poderiam ficar largadas para em poeria e tristeza se esvairem aos poucos em um depósito. Alguns ciclistas levaram mais de uma, uns escolheram bem e tiveram os que ficaram sem. Mas agora, cada uma seguirá sua história individualmente não são mais um coletivo de bicicletas que saíam em grupo para passeios organizados.
Agora estão todas circulando pelas ruas do Rio de Janeiro e além.
O Bazar de Bicicleta foi uma parceria da Transporte Ativo, Recicloteca, Rio Bike Tour e All Track.
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Bazar de Bicicletas III
Vem aí a terceira rodada do Garage Sale.
As anteriores foram um sucesso com 40 bicicletas vendidas em dois dias.
Ambiente agradável, bate papo sobre bicicletas, test drive e um mecânico de plantão.
Vejam algumas fotos no Álbum do Garage Sale.
Então:
A Rio Bike Tour, em parceria com a TA, Recicloteca e All Track Bicycles convida para a terceira rodada da grande queima das úlitmas bicicletas de sua frota. Vinte bicicletas estarão disponíveis para venda direta no sábado 8 de maio das 10 às 14 horas na Recicloteca em Laranjeiras, Rio de Janeiro
Desta vez serão:
10 Calois Supra ano 2005 com 21 vel, suspensão dianteira, com pneus
biscoito e da mesma cor. com pouquíssimo uso e em excelente estado de conservação.
Preço: 450 reais a unidade para pagamento à vista ou em duas vezes no cheque.
10 Calois Aspen ano 2005 com 18 vel, com pneus biscoito e da mesma cor. pouco uso e em bom estado de conservação.
Preço: 180 reais a unidade para pagamento à vista ou em duas vezes no cheque.
Se alguem tiver interesse em adquirir várias, lembrem -se que estas são as últimas, é só entrar em contato para fazermos um pacote com descontos de até 10%.
Data: sábado, 8 de maio
Horário: 10 às 14 hs
Local: Rua Paissandu, 362, Laranjeiras, Rio de Janeiro
Saiba Como chegar na Recicloteca
Nos vemos lá!
Abraços
Equipes Transporte Ativo, Recicloteca, All Track bicycles, Rio Bike Tour
As cidades e seus caminhos
SAMPARKOUR from Wiland Pinsdorf on Vimeo.
Nossas cidades são os percursos que fazemos nelas e no século XXI estamos reaprendendo a importância da densidade humana. A grande vantagem e dificuldade do meio urbano. Para imaginar como serão as cidades do futuro, é preciso conhecer como elas estão hoje, só assim será possível reinventá-las.
Dois jornalistas da revista Época SP mudaram-se para o centro da paulicéia durante um mês. Irão conhecer a vida e o cotidiano da região mais movimentada da cidade, mas onde poucas pessoas moram. Nas palavras de Camilo Vannuchi:
Hoje saí para explorar o pedaço. Quer dizer… não cheguei exatamente a sair. Optei por começar explorando nosso prédio.Toda boa exploração deveria seguir esse caminho, do mais perto pro mais longe. Tem tanta gente especialista em grandes questões nacionais que não conhece direito sequer seu bairro, sua rua, seu prédio… Eu, pessoalmente, defendo que é na cidade que a gente vive, muito mais do que no “país”, e, por isso, se a gente cuidasse com mais carinho da nossa vizinhança, daríamos uma bela contribuição para a cidadania e para o futuro da nossa cidade.
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Mais espaço para a circulação
A Companhia de Engenharia de Tráfego em São Paulo restringiu o estacionamento de automóveis no bairro de Moema em São Paulo. De um lado de diversas vias não é mais permitido estacionar, e no lado oposto o estacionamento passa a ser pago, em sistema rotativo. Houveram protestos, mas os cálculos comprovam que a rotatividade é boa e que os impactos na circulação viária tende a melhorar.
Mas um ciclista mostrou o antes e depois para quem pedala. Menos conflitos e mais espaço para a bicicleta.
O que alguns veem como perda, para outros são ganhos. Ao final, a tendência é que mesmo os que se sentiram prejudicados, sintam que os benefícios foram maiores.
Mobilidade urbana, um direito básico
Foi somente no século XX que as cidades perderam seu caráter de acomodar com segurança uma diversidade de meios de deslocamento. Nas palavras do historiador Peter D. Norton em seu livro "Fighting Traffic":
Antes que as cidades norte americanas pudessem ser fisicamente reconstruídas para acomodar automóveis, as ruas tiveram de ser reconstruídas socialmente como espaços nos quais o carro pudesse ser aceito. Até então, as ruas eram consideradas espaços públicos onde condutas que pudessem colocar em risco ou obstruir os outros (inclusive os pedestres) eram consideradas desrespeitosas. O direito dos motoristas era portanto frágil, sujeito a restrições que inviabilizavam as vantagens de ter um carro.
Ruas como espaço para o fluxo motorizado são uma construção subjetiva do século XX, algo perfeitamente reconfigurável dentro de um novo conceito político que se desenha no século XXI. Esse redesenho de nossas cidades tem de ser portanto construído antes de tudo nas mentes antes de se materializar fisicamente.
Essa reconfiguração mental passa por enxergar para além da forma atual das cidades e seus usos. Medidas de incentivo e valorização de pedestres e ciclistas são o caminho, mas não existe um roteiro definido. Apenas diversos primeiros passos que busquem deixar claro que cidades são para pessoas e qualquer objeto ou estrutura física serão sempre coadjuvantes.
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A simplicidade no ambiente urbano
JARDIM SUSPENSO DA BABILÔNIA - Felipe Morozini
Minhocão, São Paulo
Para além das grandes obras, suas grandes avenidas e viadutos, uma cidade tem muitas vezes detalhes esquecidos. Becos que ninguém cuida, vazamentos que pingam livremente há anos. Mas também existem pessoas que se focam em pequenos e inspiradores detalhes.
Um simples gotejamento não só deixava feia uma calçada, mas podia ser um grave risco a segurança quando a fina camada d'água congelava no inverno. Um grupo de artistas interveio com uma solução improvisada que chamou a atenção das pessoas certas que enviaram o maquinário pesado que resolveu o problema.
Astoria Scum River Bridge from Jason Eppink on Vimeo.
De uma maneira ainda mais completa, uma iniciativa em São Paulo que buscou não só agir para que algo fosse feito, mas da prática reverter um contexto desagradável. A filosofia por trás é o "Manifesto BioUrban" que começa assim:
A arquitetura e urbanismo modernista mata, é ademocratico, é panoptico e rouba o dinheiro público. O manifesto BioUrban é a antítese quanto concepção. É a resistência filosófica e estética da prática do construir e viver Cidade. É a vida. É a Cidade Viva.
O vídeo abaixo explica um pouco mais.
Existem muitas formas de viver nas cidades e vivenciá-las. Mas sempre, as melhores cidades são aquelas em que seus habitantes tomam para si o espaço compartilhado de todos.
Saiba Mais:
- Jardim suspenso da babilônia
- Astoria Scum River Bridge
- Manifesto BioUrban
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