Blog da Transporte Ativo
27fev/100

Diversão para o fim de semana em SP

Festival Ciclobr

Vai ter bike-polo, bikester e prova do cotonete. Vale passar pelo Parque das Bicicletas a partir das 9h desse sábado, 27 de fevereiro e no domingo 28.

Quanto as definições, bike-polo é um pouco como o tradicional polo, mas com bicicletas no lugar dos cavalos. Bikester é um campeonato de arrancada com bicicletas infantis em que não valer se levantar do selim. Já a prova do cotonete é similar ao desafios medievais em que cada cavaleiro tinha que derrubar seu adversário com uma lança. Nesse caso, novamente saem os cavalos e no lugar das lanças, tubos de papelão com luvas de boxe.

Haverá também infraestrutura para os espectadores com direito inclusive a manobrista de bicicletas no local.

Mais informações sobre o Festival Ciclobr.

26fev/1017

Bicicletas para todos

Status Ciclístico
A bicicleta felizmente está na moda, não custa repetir. Mas isso ainda é pouco, muito pouco. Ainda há uma grave divisão entre os usuários da bicicleta e principalmente na percepção em relação as magrelas.

Veículo dos pobres, excêntricos ou esportistas, a bicicleta ainda tem um longo caminho a percorrer, para ganhar escala no que sempre foi, o melhor meio de transporte urbano para distâncias médias e curtas.

O discurso "cicloativista" tende a ser messiânico, acredita em salvação e redenção. Como os evangélicos acreditam que não são pecadores porque foram lavados pelo sangue de Jesus. Ou tem sabor marxista, intelectuais orgânicos ou engajados, portadores predestinados da missão revolucionária sagrada de mudar o sistema político-social em nome de uma nova ordem mundial.

Com isto, podemos conseguir 2 ou 20 adeptos. Convencer vereadores a votarem “políticas cicloviárias municipais”. E construir “rotas cicláveis” a toque de caixa. Em que isto vai mudar a vida do Sr. Modesto?

Falta perguntar ao homem-de-gravata-que-vai-chegar-atrasado-no-trabalho e à mulher-de-calça-branca-que-leva-os-filhos-ao-colégio se eles querem ser redimidos ou se querem salvar o mundo. Talvez eles queiram apenas chegar aos lugares da forma que lhes for mais conveniente.

Para sensibilizarmos este cidadão mediano, precisamos saber como ele pensa, quais são suas ambições, aspirações e medos. Ainda não sabemos conversar com o “pobre” que usa a bicicleta hoje, mas assim que melhorar de vida um pouquinho, compra uma moto ou um carro usado. Tão pouco sabemos conversar com o cidadão classe média, convencê-lo a usar bicicleta assim como usa escova de dentes, sem fazer dele um ativista, sem levantar bandeiras do anti-consumismo e do ecologismo, batismo de iniciação na excentricidade.

Construir cidades para pessoas e com mais bicicletas é um caminho longo, com muito diálogo e pressão política, mas acima de tudo valorizando o que é mais importante em qualquer planejamento, a condição humana e nossas fragilidades diante do mundo e das máquinas complexas que criamos. Não somos assim tão diferentes de qualquer outro animal social, seguimos líderes, agimos em bando e sozinhos, somos fracos e medrosos.

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25fev/104

Padrão de riqueza

Pai e filhos indo pra escola de bicicleta

Em uma escola, ainda no começo do ano letivo, entra na sala o professor e acontece o seguinte diálogo:

- O professor vem sempre para a escola de bicicleta?
- Sim eu vou para todos os lugares de bicicleta. - responde o professor, feliz e surpreso dos alunos terem reparado.
Até que vem a resposta:
- Então o professor é pobre?
- (Silêncio constrangedor).

A percepção corrente de que riqueza se traduz em bens materiais atinge com força as crianças, mas não precisa ser fato consumado. O professor dessa pequena história não soube o que responder, mas a quantidade de boas respostas possíveis é tão grande quanto o universo de bicicletas.

Para quem pedala todos os dias, chega a ser intrigante e soa repetitivo ouvir questionamentos sobre o uso da bicicleta. Para ajudar e sensibilizar alunos em relação a importância e ao valor das bicicletas para as pessoas e as cidades, a Transporte Ativo disponibiliza uma apresentação feita em um colégio particular no Rio de Janeiro. Nela, imagens e vídeos mostram a bicicleta como ícone de luxo, mas principalmente seu potencial para cidades e pessoas melhores no futuro.

- Baixe em pdf a apresentação "A Bicicleta, passado, presente e futuro".

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24fev/100

Minha cidade

Quando é verão, chove muito na minha cidade.

Minha cidade tem fluxo e bicicleta...

...fluxo de bicicleta.

Minha cidade já viu a passagem do tempo, e se faz de retalhos caóticos unidos.

Na minha cidade, tem diversidade de gente.

Tem arte moderna na minha cidade.

Tem gente triste e tem gente feliz, tem quem empine pipa e quem durma até tarde.

Minha cidade às vezes parece grande demais, mas só parece.

Todas essas fotos foram tiradas em uma mesma praça em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Um espaço discreto que une as ruas Mateus Grou e Virgílio Carvalho Pinto.

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22fev/103

Na praia da Barra, muitas pedaladas

Rio, Capital da Bicicleta

A Transporte Ativo, segue, quase como na música de Tim Maia. Mas ao invés do Pontal, estivemos na praia da Barra, em frente a praça do Ó. Foi a terceira etapa da Campanha Educativa, Rio Capital da Bicicleta. Uma parceria entre a Prefeitura do Rio, secretarias de Meio Ambiente e Saúde, CET-Rio e Transporte Ativo.

Tomo guaraná, suco de cajú, goiabada para sobremesa...

Confira o álbum de fotos.

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21fev/100

Domingo de sol e esperança

Bicicleta com asas

São Paulo tem muitas frentes a serem conquistadas, muitas bordas a serem comidas e muita qualidade de vida a ser devolvida para seus moradores. A ciclofaixa de lazer tem 5 quilômetros de extensão, pode parecer pouco, mas só parece.

Basta sair para as avenidas em um domingo de sol e sentir o que acontece quando as pessoas tem a oportunidade de desfrutar da cidade. O sol estava forte, mas isso não foi tão importante. Quem esteve lá viu o que sempre acontece e nunca se repete. Uma senhora que pede ajuda para calibrar o pneu da bicicleta velha que estava encostada. Os pneus ressecados pelo tempo que voltam a girar. Ao mesmo tempo, duas jovens moças com dobráveis novas em folha passeiam. Óculos de sol, saias ao vento, não se vê nelas traço de esporte, apenas a interseção do transporte com o lazer.

Os mais atentos, que por ventura fiquem parados, por um instante, na subida da Hélio Pelegrino irão reparar na alegria dos que descem e no esforço dos que sobem. Ladeira acima, pequenas e grandes conquistas. O homem que incentiva a mulher voltar sempre para dimiuir o tempo do trajeto. E a pequena esposa baixinha e aparentemente frágil que já no final da subida lança um sorriso para seu companheiro. Sem palavras, transmite a felicidade que só a superação conquistada pelas próprias forças é capaz. E mesmo aqueles, solitários quando chegam ao cume, não disfarçam. Alguns, mais cansados, empurram. O importante é ir devagar, mas sempre.

Ladeira abaixo, a criança, com o freio duro daquela bicicleta que estava esquecida na garagem esforça-se para não ir rápido demais. Ciclistas confiantes, descem em um vôo rasante. Quase tem asas, mas a borracha sempre no asfalto. Descer é também um arte, que se aprende aos poucos.

Pedalar em São Paulo hoje, já é melhor do que ontem. Mas na segunda-feira, a cidade precisa voltar ao trabalho e seguir galgando espaço para as pessoas. Toda vez que eu pedalo na ciclofaixa eu acalmo meu coração em relação ao futuro de São Paulo. Ou como disse H. G. Wells:

Toda vez que eu vejo um adulto em uma bicicleta, eu deixo de me desesperar quanto ao futuro da raça humana

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19fev/100

O rio da minha aldeia


Passeio de bicicleta na margem norte do Tejo ao som de "Cais" do projecto "Os Poetas". Por Nuno Trindade Lopes. Editado por Abilio Vieira.

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro

16fev/104

Carnaval, democracia nas ruas

Carnaval do povo

Foto: xAv

O carnaval é quando as ruas voltam a pertencer as pessoas, sem concessões. Em massa e em festa milhares de enebriados foliões tomam conta dos espaços públicos Brasil afora. Durante alguns dias o que é de todos passa ser verdadeiramente de quem queira. O lúdico e o "estar" deixam completamente de lado o fluir e o circular.

Durante o reinado do Momo a circulação se faz por outras vias, bicicletas e veículos motorizados devem procurar alternativas para fluir, por ser grande demais, a massa em alegria toma conta de todos o espaço. De porta a porta, do lado de fora, apenas gente.

A força incontrolável da festa inspira outras cidades possíveis. Quatro dias no ano são muito pouco para ter a cidade aos pés de quem está a pé. A demanda reprimida fica clara por mais espaços públicos de qualidade. Pessoas gostam de pessoas e o excesso e densidade do Carnaval evidenciam também que o aperto só é tolerável com música e festa.

Durante os outros 361 dias do ano o casamento entre circulação e diversão perde espaço. A cidade para as pessoas que funcionou durante a folia fica fechada. Será que precisaremos esperar até o próximo Carnaval para libertar a vontade de estar em companhia e em alegria nas ruas?

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15fev/100

Estilos carnavalescos

Flamenguista, midiático, ciclista

O carioca midiático

07/02/2010 - Bloco do Baixo Augusta (SP)

Paulistano que se protege do sol

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13fev/102

Arte das Ruas

Arte Bicicleta

O Carnaval chegou, hora de observar a arte nas ruas.