Nichos e Marketing de Massa
O termo em inglês “bike-hype” já circula livremente pelas bocas dos ciclistas. A bicicleta começa a aparecer cada dia mais na mídia, e além dela. A quantidade de aparições da bicicleta é notável, mas a qualidade pode sempre melhorar. Muitos erros no discurso ainda são cometidos, mas a forte presença em diversos círculos ajuda a fortalecer a visibilidade.
Qualificar a visibilidade é o desafio em curso e que vai além do hype, ou da “moda”. O ciclista urbano brasileiro ainda pode ser visto como parte de uma tribo, ou simplesmente pobre demais para utilizar o transporte público. E essa dicotomia entre pobreza urbana e conduta tribal são maléficas para alastrar o uso da bicicleta.
A bicicleta está na moda e seus benefícios já se alastraram para o discurso de todos. É impossível falar em sustentabilidade urbana ou mobilidade e não mencionar bicicleta. Todos falam de como pedalar faz bem para a saúde e o trânsito das cidades. O ciclista ganhou aura de herói e defensor do ar que respiramos. Mas isso é pouco.
Os administradores e cidadãos de nossas cidades precisam encarar a bicicleta não como um futuro utópico ou atividade para poucos. Pedalar tem que ser para todos e ser incentivado de tal forma que mães possam levar filhos aos colégios e crianças maiores possam ir sozinhas pedalando a escola. A bicicleta pode revolucionar as cidades, mas para isso tem de ser encarada com a devida seriedade.
Abaixo um video clipe que inspirou essa reflexão. Visto primeiro no Copenhagenize.com
A beleza das imagens impressiona e emociona, um tratamento digno de grandes campanhas publicitárias que vendem sonhos. A banda é 30 Seconds to Mars e a música “Kings and Queens” fala sobre os que eram reis e rainhas da esperança. Fica clara a intenção de associar os ciclistas ao futuro, como uma promessa. Mas a bicicleta já é para hoje, para o século XXI que está em curso.
1 de Dezembro de 2009 @ 22:34
A música é do álbum “This is War” que vai ser lançado dia 12.
Uma parte da letra diz:
Into your lives
Hopeless and taken
We stole our new lives
Through blood and pain
In defense of our dreams
In defense of our dreams
3 de Março de 2010 @ 22:50
[…] 04/03/2010 por Jskmartineli Confesso que aprendi a andar de bicicleta um pouco tarde. Apesar de ter vivido até os 6 anos em uma rua sem saída em Salvador/Ba, naquela época – lá no início dos anos 80 – criança pequena andava de velotrol. Depois, indo morar em Belém/Pa, o apto não comportava uma bicicleta, que dirá 3 (o numero de filhos – se um tem, todos tem). Somente aos 11 anos, com a possibilidade próxima de ir morar em uma fazenda, ganhei minha primeira bicicleta, uma monark brisa, rosa, com cestinha, linda de morrer. As primeiras pedaladas, em sítios de amigos, foram difíceis… sempre fui uma ‘criança grande’ e pouca gente tinha disposição pra me guiar. Quedas e um encontro com um cajueiro foram necessários até que eu ganhasse segurança pra pedalar sozinha. Logo fiquei boa de pedal… andar longe do trânsito, em caminhos de sítios e fazendas, desviando apenas de buracos, me transformaram numa ciclista limitada a passeios solos… mas uma boa ciclista… pedalar sem as mãos, pedalar de pé… Mas a jovem ciclista cresceu. Voltei à cidade (quase) grande, virei jornalista-boêmia, e pedalar no trânsito nunca foi um atrativo. E de qualquer forma, também nunca quis aprender a dirigir – confesso não ser muito fã de automóveis. Bicicleta na minha vida, só anos mais tarde, em um casamento onde o marido pedalava. Na garupa, rodei por Belém. Vivenciei uma cidade onde a bicicleta é maioria, mas ainda coisa de quem não tem dinheiro pra ter carro, de pobre mesmo, não uma opção de vida – o conceito ‘bike hype‘ está longe de existir por lá. Vi o quanto as pessoas não respeitam os outros, nem os de carro, os ciclistas, muito menos os pedestres. Fechava o olho quando podia, pra não perceber os automóveis passando tão perto e pedia que nada de mal acontecesse com quem estivesse sobre duas rodas não motorizadas. O posto de ‘garupa-esposa’ durou quase 3 anos e acabou com o fim do casamento. Uma nova mudança me trouxe para uma cidade bem maior, grande de verdade. Cidade onde jamais arriscaria me tornar motorista e onde a vida de pedestre é um pouco mais confortável, graças ao transporte público um pouco mais dígno e ao metrô, claro. Quis o destino, nessa grande cidade, que eu, a baiana-defamíliapaulista-quaseparaense, conhecesse uma sergipana, retirante jornalista (assim como eu), virada e cheia de disposição sobre duas rodas de bike. Os sonhos profissionais, os desejos utópicos, o senso crítico e a vontade de fazer diferente transformaram essa amizade em algo vital. Mas uma coisa impedia que esse elo se fechasse por completo. Duas rodas versus dois pés. Como fazer? Uma tolerava a diferença da outra, mas em algum momento era preciso se separar. A paixão da ciclista pelos pedais, quase que insuportável para quem não entende a ‘causa’, passou a influenciar a amiga pedestre. Mas eu, a caminhante, sempre tive medo. Medo da ignorância e da estupidez de um trânsito que mata cerca de 40 mil pessoas por ano, segundo o Ministério da Saúde. A amizade, que só foi aumentando, alcançou novos vínculos e a extensão das ‘raias’ da pista, conquistando outros e outras ciclistas, criando um novo mundo todo especial, de assuntos novos, dificuldades e realidades. A minha identificação, claro, foi imediata e não-pedalar passou a ser um problema existencial, pois via tudo aquilo como uma forma de se libertar de um de meus tantos medos. Chegou então o Carnaval, tempo de libertação, onde as pessoas se arriscam, se ‘jogam’ e aproveitam a cidade tranquila, vazia, para se soltar e comemorar. Comemoração também da chegada do ‘Benedito‘ – a nova bicicleta da amiga ciclista, a primeira bicicleta ‘macho’ que se tem notícia - que deixou a doce e alegórica ‘Amélie’ disponível para me ensinar a ocupar meu lugar na rua. 3 dias. 3 dias de ‘rolês’ carnavalescos foram suficientes para incluir mais uma ciclista nas ruas de SP. Carnaval na Ciclofaixa […]