Em Caso de Pandemia
Ciclista com máscara antipoluição em Londres
Foto Alforque
Um assunto tem monopolizado a pauta da grande mídia ao redor do mundo. A famosa gripe suína, do vírus influenza H1N1. Nas redes sociais reais e virtuais não se fala de outra coisa. Da mesa do bar ao twitter comenta-se sobre os espirros e a febre que se espalharam desde o México.
O Globe and Mail de Toronto no Canadá trouxe uma lista de recomendações para o caso de uma pandemia. A primeira precaução adicional: compre uma bicicleta. Ela não irá manter-lhe tão isolado das outras pessoas (uma aparente desvantagem), mas pedalando pode-se chegar longe sem depender de combustíveis fósseis.
Afinal nada pior do que perder tempo em quilométricas filas em postos de gasolina, ou pior em gigantescos congestionamentos. Para ir, sair, ou fugir o melhor é pedalar.
Para o caso de nunca chegarmos a uma pandemia, vale comprar uma bicicleta do mesmo jeito. Afinal um veículo recomendável em tempos de crise é comprovadamente eficiente para viver na calmaria.
(via Twitter - @realcycling)
O Papel dos Ônibus
Apesar da eficiência em transportar grandes volumes de passageiros, os trens costumam ser responsáveis por menos viagens do que os ônibus. Seja em Londres ou em São Paulo. A dinâmica da cidade e o planejamento urbano das últimas décadas acabaram por favorecer o transporte sobre pneus.
No entanto o mesmo asfalto por onde passam os ônibus, fica congestionado com um volume crescente de veículos motorizados particulares. A perda para a cidade é evidente, já que um transporte público lento e superlotado acaba levando mais pessoas a optar pelo transporte individual motorizado. Um círculo vicioso que pode e deve ser quebrado.
Uma solução encampada por Curitiba nos anos 1970 e que ganhou o mundo já está no papel na cidade de São Paulo. Tendo sido posto em prática em algumas partes da capital. São os chamados corredores exclusivos de ônibus, ou Bus Rapid Transit (BRT) como ficaram famosos ao redor do mundo os ônibus em canaletas exclusivas de Curitiba.
Priorizar o transporte público para grandes distâncias e integra-lo as bicicletas é sem sombra de dúvidas o melhor caminho para a construção da sustentabilidade urbana. Planejamento Cicloviário é a solução para inserir a bicicleta nas cidades e os corredores de ônibus são a melhor maneira de racionalizar o transporte motorizado sobre pneus. Tudo sempre na lógica de custos menores e resultados maiores, onde a meta maior é a qualidade de vida da população.
Saiba Mais:
- O corredor de Ônibus na Berrini (ecologiaurbana)
- Ônibus mais rápido que automóvel (Jornal Destak)
Encruzilhada Urbana
Foto André Pasqualini.
Um acostamento a beira da Marginal Pinheiros acabou gerando grande repercussão e um debate dentro da esfera municipal e entre os cicloativistas. A discussão foi além da transformação de uma faixa de acostamento da via expressa em faixa de rolamento.
Vias expressas são locais inadequados para o compartilhamento entre ciclistas e o restante do tráfego, mas para os "apocalípticos" o acostamento acabava sendo o único caminho. E como tem sido notório, o número de ciclistas que pedalam "apesar de qualquer condição desfavorável" tem aumentado constamente em São Paulo.
A evidência da presença crescente das bicicletas nas ruas e a notória imobilidade urbana que acomete São Paulo aos poucos colocam a cidade diante de uma escolha que remete a mesma encruzilhada macroeconomica mundial. Qual o tipo de desenvolvimento que podemos e queremos ter?
Economicamente o automóvel a a indústria automobilística tiveram um importante papel para a geração de riqueza para o Brasil e principalmente para a região metropolitana de São Paulo. Hoje o mesmo dinheiro que fez e faz girar a economia na cidade é responsável pelos congestionamentos que imobilizam a população, independente do meio de transporte escolhido.
Bogotá nos provou que mais do que dinheiro, o desenvolvimento urbano precisa de vontade política para traçar seus rumos. São Paulo e seus administradores precisam decidir se seguem rumo a promoção da qualidade de vida e da mobilidade sustentável ou se irá continuar a ser privilegiada a "Velha Mobilidade" e os efeitos negativos que conhecemos.
Saiba Mais:
Carta Aberta aos Secretários de Transporte e Meio Ambiente da cidade de São Paulo.
Le Bikeour
Seria o Biketrial a versão ciclística do Le Parkour? O nome do artista é Danny MacAskill.
Utilizar o mobiliário urbano, gradis, bancos escadarias, cancelas. Voar por cima de tudo pedalar em lugares inimagináveis. Não é um uso comum a bicicleta, requer muita prática e habilidade, mas a plasticidade das imagens é acessível a todos.
Pedalar como meio de transporte é uma atividade bem mais acessível, mas o vídeo apenas comprova que não é também o único uso para as magrelas.
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Via @lucianocoelho, visto no blog Update or Die.
Bicicletas no Coração de Brasília
Brasília, com suas superquadras, escolas classes, calçadas largas e comércios locais, é uma cidade planejada para pedestres.

Foto: Andréia
Apesar disto, a idéia inicial de Lúcio Costa foi e vem sendo corrompida por políticas públicas equivocadas, centradas no automóvel. Hoje, o que era uma utopia no papel, virou um caos. Contudo, a cada dia mais e mais pessoas descobrem que o caminho tem volta, e que há outras opções.
O Conjunto Nacional é o shopping mais antigo da cidade, até tornou-se referência. Está localizado ao lado da Rodoviária, bem no centro de Brasília, onde o Eixo Monumental cruza com o Eixo Rodoviário. Não é à toa que usa como slogan "o shopping do coração de Brasília".
Há muitos anos o Conjunto Nacional tinha um bicicletário. Era só uma barra na parede. Depois houve uma reforma na garagem e o bicicletário sumiu. Reapareceu como um cantinho e uns ganchos para pendurar, onde mal cabiam duas bicicletas. Alguns meses atrás até este cantinho sumiu. E o coração de Brasília se fechou para bicicletas.
Agora, o Conjunto Nacional dá um presente para os ciclistas de Brasília. Construíram um bicicletário ótimo, gratuito, com bons suportes para prender a bicicleta. Fica na área do estacionamento para motos, próximo da saída.

O patinho feio virou um cisne! Atualmente é o melhor bicicletário do DF, falta apenas sinalização adequada.

Agora são três shoppings em Brasília que possuem bicicletários: além do Conjunto, o Pier (os suportes são inadequados) e o Brasília (para usar o bicicletário paga-se a mesma taxa de estacionamento para carros). De outro lado, shoppings bem mais novos que o CNB não oferecem bicicletários e alguns chegam a expulsar os ciclistas da sua área.
Antiguidade, neste caso, é sinônimo de sabedoria. Oferecer estacionamentos adequados para bicicletas é uma das formas mais eficientes para incentivar o uso deste transporte que colabora com o planeta, desafoga as cidades, tonifica os músculos e fortalece o coração. Agora o coração de Brasília bate mais forte com bicicletas.
Dez Mandamentos para uma Cidade Melhor
Esses mandamentos fazem parte do artigo: "O Caos se(m) cura - Dez Mandamentos para uma cidade combalidade." Escrito por Sergio Kon e publicado no livro: "A (Des)construção do Caos: Propostas Urbanas para São Paulo" - Sergio Kon e Fábio Duarte (orgs.) - Editora Perspectiva.
A Bicicleta Usada

Quem realmente gosta de bicicletas, não compra simplesmente por comprar, não escolhe apenas o melhor negócio e não fecha negócio de qualquer maneira. Principalmente quando se trata de bicicletas usadas. Aquelas que já tem uma história com seus donos anteriores agregam ao uso da bicicleta mais um valor: amizade entre ciclistas.
É estranho pensar o quanto a "bicicleta física" pode assumir uma posição mais sentimental do que material. Não é apenas uma bicicleta da marca X modelo Y. É a bicicleta de fulano que já viajou pra lá, pra cá e transportou isso ou aquilo, que foi companheira de aventuras e desventuras. Foi ela que salvou aquele dia.
Se for comprar uma usada, vale a pena perguntar mais do que a marca dos componentes, estado do quadro, pneus etc. Se o dono realmente gostar de bicicleta vai querer que o novo dono saiba os outros atributos daquela magrela.
O negócio de troca de dono entre pessoas que gostam de pedalar pode gerar grandes amizades. Realmente a bicicleta une as pessoas.
A Dahon Matrix trocou de mãos. Ela que se tornou uma bicicleta a mais em São Paulo e conheceu a cidade pelas bordas.
Boas Pedaladas ao Boney ao lado dessa excelente companheira.
Dê Uma Chance à Bicicleta

Foto: Twobythree
"Give peace a chance" foi a primeira canção solo de John Lennon, ainda quando os Beatles tocavam juntos. A música marcou a entrada de Lennon no ativismo e foi usada como hino do movimento contra a Guerra do Vietnam, em 1969. Ao lado de Happy Xmas tornou-se um dos maiores sucessos da dupla Lennon&Yoko e continua tão atual e necessária quanto naquela época.
Se o trânsito nas cidades tornou-se uma "guerra" todo dia, tudo o que a gente diz nesta releitura da canção é: dê uma chance para as bicicletas.
Ev'rybody's talking about
Traffic jam, pollution, road rage, climate change, global warming
This-ism, that-ism
Isn't it the most
All we are saying is give bicycle a chance
All we are saying is give bicycle a chance
Ev'rybody's talking about
Lung cancer, obesity, car crash, children killed, women crying,
run over, man injured, quadriplegic, tetraplegic, paraplegic,
And bye bye, bye byes.
All we are saying is give bicycle a chance
All we are saying is give bicycle a chance
Let me tell you now
Ev'rybody's talking about
motorway, highway, SUV, green cars, biofuel, pavement parking
crisis, industry, IPI, buy cars and save the nation!
All we are saying is give bicycle a chance
All we are saying is give bicycle a chance
Ouça a canção original:
ou aqui em boa resolução e com melhor áudio.
A Importância dos Apocalípticos

Os dados completos da pesquisa de Origem e Destino em São Paulo (Especial no Estadão) foram divulgados na semana passada. Através dele, ficou comprovado o enorme crescimento da bicicleta como meio de transporte principal de milhares de paulistanos irem e voltarem do trabalho.
Os motivos para o uso da bicicleta são os mais diversos, mas cada ciclista que ganha as ruas evidencia o quanto a cidade precisa pensar e planejar uma nova mobilidade.
O trânsito e o simples "ir e vir" na maior cidade brasileira se tornaram dramas cotidianos que atingem a todas as camadas da população. E nas palavras de Enrique Peñalosa, a mobilidade é um problema que não se resolve com mais dinheiro. Quanto mais rica é uma sociedade melhor tende a ser seu sistema de saúde, mas o mesmo não se aplica a mobilidade de sua população. Investimentos milionários em infraestrutura viária acabam não sendo a melhor solução.
A melhoria da qualidade de vida e da mobilidade dos cidadãos é do interesse de todos mas em São Paulo tem ganho força cada dia mais a união de ciclistas que utilizam as magrelas para ir e vir por toda a cidade. Apesar das deficiências estruturais, das dificuldades enfrentadas pedalar tem feito parte de cada dia mais paulistanos. Eles e elas são os "apocalípticos", aqueles que já contabilizaram os ganhos que a bicicleta traz para suas vidas e ganharam as ruas em cima do selim.
Todo grupo minoritário deseja ser ouvido e respeitado. Por hora os ciclistas paulistanos ainda são poucos, mas uma ruidosa minoria que ao pedalar no dia a dia reforça que a cidade é possível. Eles e elas mostram que agir em prol da bicicleta é agir olhando para um grupo que hoje é pequeno, mas cujo crescimento leva a um horizonte de melhoria na qualidade das cidades.
Um grande cidade com mais ciclistas é automaticamente uma cidade melhor para todos. Pedalar é arejar o ambiente urbano. É pensar a cidade pela sua maior riqueza, o contato com outros seres humanos. É valorizar o contato das pessoas com os espaços construídos sejam parques, praças, belos prédios ou o horizonte.
- Mais no Blog:
Apocalípticos e Integrados
Formas de Ação
Aproveite o Dia

Entramos em novo mês. Como diz o provérbio latino, tempus fugit. Os dias passam, os dias voam. Muita coisa já foi feita, muito há o que fazer.
Fazendo uma releitura de outro ditado latino, ars longa vita brevis, a vida é breve, mas as bicicletas vieram para ficar.
E para acompanhar a mudança dos dias com bicicletas, instale na tela do seu computador o wallpaper de abril, da série Benefícios da bicicleta o ano todo.
Veja aqui.






