Blog da Transporte Ativo
30mar/092

Como Fazer Bicicletários

Underpass

foto: Urban Penguin

Um bom local para estacionar é condição fundamental para incentivar e valorizar o uso das bicicletas como meio de transporte diário.

Bicicletários bem construídos, contudo, precisam seguir certos padrões mínimos. Os manuais para estacionamento de bicicletas, da APBP-USA e Sustrans-UK, traduzidos pela TA, trazem recomendações que devem ser seguidas. O suporte precisa apoiar a bicicleta em dois pontos, permitindo também prender as rodas e o quadro. O bicicletário deve estar próximo da entrada do edifício, em lugar sinalizado, se possível coberto e bem iluminado.

A TA lança agora Bicicletários: diagramas para construção e instalação. Este manual é um conjunto de desenhos técnicos indicados como guia para o momento decisivo de escolher o melhor modelo e instalar o bicicletário da melhor maneira.

O guia, disponível em PDF, pode ser usado livremente, encaminhado para empresas, órgãos públicos e prefeituras. Solicitamos apenas que citem a fonte. O arquivo em versão vetorial, para edição de plantas-baixas, entre em contato.

27mar/090

Bicicletas Portenhas

Bicicletas Buenos Aires

Buenos Aires é uma cidade planejada, com amplas avenidas e ruas transversais arborizadas. Sofisticada e cheia de personalidade a capital Argentina está também repleta de bicicletas. Trancadas em postes, circulando pelas ruas tranquilas e nas grandes avenidas. Nas pistas preferenciais para bicicletas ou dentro dos parques.

Assim como no Brasil, aparentemente as magrelas ainda são novidade para os portenhos e precisam ser incluídas no planejamento urbano da cidade. Fazem falta principalmente os bicicletários. E como os ciclistas não são bobos, as trancas sólidas em U são maioria absoluta.

Confira mais mensagens curtas e links sobre Buenos Aires no twitter da Transporte Ativo.

26mar/095

Um túnel e muitas bicicletas

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O mapa indica o ponto exato da contagem de bicicletas no Túnel Velho

No dia 11 de março a Transporte Ativo realizou uma contagem fotográfica de bicicletas numa das principais vias de ligação entre Botafogo e Copacabana, dois dos mais populosos bairros do Rio de Janeiro. Mesmo sendo um túnel mal iluminado e sem faixa para bicicletas o movimento destes veículos é intenso durante todo o dia.
Entre 7 e 18 horas 711 ciclistas cruzaram o túnel nos dois sentidos, pela rua ou pela calçada, na mão e na contra-mão, com os mais diversos tipos de bicicletas e com diferentes objetivos.
Em 2004 a prefeitura divulgou dados sobre o trânsito de bicicletas através do PDTU (plano Diretor de Transporte Urbano). Neste documento copacabana tem só 1588 viagens de bicicleta no sentido casa - trabalho - casa. A contagem de outros meios de transporte como carros, metrô e ônibus não tem esta distinção. Curiosamente a contagem do Túnel Velho e a do Corte do Cantagalo realizada no ano passado, somam 1490 viagens de bicicleta um sólido indicativo de que há muito mais bicicletas nas ruas do que indicam os documentos oficiais.

Os dados podem ajudar as autoridades na elaboração das futuras políticas públicas em relação ao trânsito de bicicletas e mostram a todos que a bicicleta já é um meio de transporte significativo no Rio de Janeiro, mesmo que haja um túnel no meio do caminho.

Veja o Relatório completo da contagem no Túnel Velho.
Veja o álbum de fotos completo.
Assista um vídeo da travessia do túnel.

25mar/090

Bicicletas Livres

Universidade de Brasília

foto: Bruno Azambuja

O Bicicleta Livre é um Projeto de Extensão da Universidade de Brasília. Nasceu com a idéia de disponibilizar bicicletas comunitárias dentro do campus da UnB, para que estudantes, funcionários, professores e o público em geral possam se locomover dentro da universidade.
Nesta semana o projeto reforçou a campanha de arrecadação de bicicletas doadas, cujo mote bem criativo é: Coloque sua magrela para rodar - seja doando ou pedalando. Os estudantes bolsistas envolvidos no projeto dizem:

queremos que as bicicletas sejam vistas como de todos e todas e achamos que a doação individual cria um laço comunitário mais forte do que a doação de bicicletas novas por empresas ou compradas pelo projeto.

Junto com cartazes, eles divulgaram um documento de apresentação do projeto, que esclarece:

o Bicicleta Livre não pretende limitar-se às transformações físicas do ambiente urbano. Um de seus objetivos é precisamente constituir-se um estímulo para a promoção de políticas públicas nos campi e no Distrito Federal ao demonstrar de forma prática os benefícios da bicicleta no dia-a-dia para pessoas de dentro e de fora do ambiente universitário, criando (ou relembrando) nestes indivíduos a consciência sobre a importância e a utilidade da bicicleta como meio de transporte." (...) "Ressalta-se nos propósitos do projeto e nas potencialidades da bicicleta como meio de transporte a promoção da autonomia. A bicicleta pode oferecer independência ao seu usuário regular não apenas por ser econômica, estimular fisicamente o corpo e oferecer maior flexibilidade quanto às suas rotas, evitando congestionamentos. Ela também permite um domínio generalizado sobre a mecânica do seu veículo, incrementando a liberdade de movimento. Por isso o projeto também busca promover experiências de oficinas comunitárias que se mostraram exitosas como as “Bicicloficinas” italianas ou suas correspondentes francesas e estadunidenses."

Se você mora em Brasília, ou conhece alguém que possa ajudar, divulgue! E participe da campanha de doação.
Maiores informações na página www.bicicletalivre.unb.br
pelo email: bicicletalivre@gmail.com.br
ou na lista de discussão Bicicletalivre no Yahoogrupos

  • Mais:





  • 19mar/094

    Planejamento Cicloviário na Imprensa

    Planejamento Cicloviário ainda é um conceito novo no Brasil. Muitas vezes a imprensa associa bicicleta à necessidade de ciclovias. No entanto para os ciclistas essa ligação não é direta e cada vez mais a mensagem consegue se espalhar.

    Na reportagem veiculada na Rede Globo um excelente panorama da situação do ciclista em São Paulo:

  • Pedalar na capital paulista é driblar os congestionamentos e chegar antes;
  • Ciclistas são portanto pontuais;
  • Adotar a bicicleta é bom para a saúde do indivíduo e do planeta;
  • A falta de infraestrutura e de segurança viária são grandes problemas;
  • Integração com o transporte sobre trilhos ajuda a facilitar o uso das bicis como meio de transporte;
  • O maior desafio está na mudança da mentalidade dos motoristas;
  • Deve-se inserir a bicicleta como mais uma opção de transporte para a população;
  • Para melhorar a vida de quem pedala ou quer pedalar em São Paulo, vale o tripé: bicicletários, educação no trânsito, além de ciclovias e ciclofaixas.
  • 19mar/090

    Ativismo Ciclonudista

    Ciclonudista na Paulista

    Pedalar pelado pode parecer uma má idéia. Expor-se aos elementos, a mídia, a repressão policial. No entanto pelo segundo ano consecutivo isso foi feito pelos cicloativistas em São Paulo. Os números são imprecisos, mas eram algumas centenas na II Pedalada Pelada. Versão Brasileira do World Naked Bike Ride. E para não deixar ninguém pelado, a polícia destacou meia centena de policiais militares.

    O ativismo que se faz nas ruas através da Massa Crítica é em anárquico por exelencia e buscando libertar-se ao menos da repressão policial, os ciclistas reunidos, e vestidos, na paulista dispersaram ao final da avenida. Manobra evasiva que obteve sucesso e possibilitou que os mais aventurados mostram-se suas vergonhas no ponto de encontro combinado. O famoso movimento dos Bandeirantes, ou simplesmente "Empurra-Empurra", as portas do parque do Ibirapuera.

    Do Ibirapuera a massa de pelados e semi-nus seguiu por ruas e avenidas. Com sua presença mostraram duas coisas: em São Paulo existem muitos ciclistas e destes, uns tantos dispõem-se até a tirar a roupa em público para chamar a atenção para a bicicleta e a importância do veículo que utilizam.

    O Movimento Cicloatista paulistano aprende com seus erros e acertos e cada vez mais consegue infiltrar seu discurso na mídia. Grande ou pequena. Ao mesmo tempo é capaz de pacificamente evidenciar tensões junto as autoridades. Levando ao limite o conceito de que bicicletas são parte do trânsito e portanto não devem ser tratadas com ostensiva repressão policial quando estão em uma grande concentração.

    ---
    Mais:
    - Pedalando pelado (exceto na Avenida Paulista) - Mario Amaya
    - Pedalada Pelada São Paulo - NakedWiki

    18mar/093

    Na Contramão da História?

    Bicicletas Estacionadas

    Improviso nas Ruas do Rio

    A nova administração municipal do Rio de Janeiro encampou uma campanha de inestimável valor para a sociedade. O lema desde o primeiro dia de governo é o "Choque de Ordem". Uma série de ações tem mostrado ao carioca que há um novo governo e que a prefeitura irá privilegiar a organização da cidade.

    No entanto a medida que segue em seus esforços, podem haver erros. Um deles foi cometido com a apreensão de bicicletas estacionadas em postes nos bairros do Flamengo e do Catete. Segundo a Prefeitura elas pertenciam a estabelecimentos comerciais e obstruíam a calçada dificultando o trânsito de pedestres.

    Por mais bem intencionada que possa ser a medida de deixar livres as calçadas do Rio de Janeiro, cortar correntes e apreender bicicletas é uma medida que não só é polêmica, mas acima de tudo um enorme retrocesso na promoção da qualidade de vida na cidade. Bicicletas em todo o mundo são incentivadas e é desejo de qualquer prefeito no planeta ter uma cidade melhor. Certamente as magrelas fazem parte da melhoria na qualidade de vida urbana. Silenciosas, limpas e esguias, deslizam pelas ruas sem poluir e sem gerar engarrafamentos.

    Bicicletas nas calçadas são um problema, com certeza. No entanto a solução não passa pela remoção pura e simples da bicicleta, tratando-a como um "obstáculo". Onde bicis demais tomam o espaço do pedestre, um bicicletário torna-se necessário. Estabelecimentos comerciais fazem entrega em bicicleta, parabéns. A Prefeitura deveria facilitar o contato para que eles solicitem a instalação de um bicicletário em local adequado junto a loja.

    Bicicletas na Rua

    Espaço adequado para o estacionamento de bicicletas

    O Rio de Janeiro tem muito a se beneficiar com a adesão cada vez maior dos cariocas as bicicletas, mas não se pode deixar de lado a mobilidade dos pedestres e a limpeza das calçadas. Bicicletários bem localizados e adequados são portanto a melhor solução para resolver um problema e ao mesmo tempo impulsionar a solução de outros.

    - Mais:
    Bicicletas Confiscadas - O Eco
    Prefeitura do Rio desestimula o uso da bicicleta - Freeride
    Sr. Prefeito do Rio, não ataque as bicicletas! - O Globo

    17mar/091

    Pedalada ‘Chic’

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    Foto: Thiago Benicchio

    O incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte mira muito no percurso casa – trabalho – casa e muitas pessoas de fato usam a bicicleta nesse percurso e em muitos outros. Pedalando se vai às compras, ao dentista, à casa dos amigos, ao cinema, à praia, ao parque e, por que não, à festa e ao trabalho. Nestes dois últimos o traje é diferente, especial, ‘chic’, por assim dizer.
    Tudo bem, algumas mudanças exigem tempo, mas se pudermos experimentar fica melhor para decidir.
    Nesta terça à noite, no Rio de Janeiro, um grupo vai pedalar arrumadinho, bonitinho e cheiroso. È a Pedalada Chic, que unirá ciclistas de fim-de-semana aos de todo dia em torno do traje elegante para pedalar. Numa volta pela orla e pela Lagoa Rodrigo de Freitas todos poderão experimentar o que europeus, japoneses e dinamarqueses (Copenhagen Cycle Chic) já sabem: pedalar é bom demais mesmo em roupas ‘normais’.
    Mas atenção! Serão devidamente barrados os que estiverem com trajes de ciclista.

    Ponto de encontro: Aterro do Flamengo, Monumento Estácio de Sá, às 19h30. Roteiro: Aeroporto, Aterro, orla, Lagoa e retorno ao Aterro.

    Veja FOTOS de ciclistas elegantes
    Leia um POST sobre a Bicicletada dos Executivos
    Fotos e vídeos da Bicicletada de Agosto de 2008

    13mar/092

    Barreiras Psicológicas

    Instalar bicicletários e construir ciclovias até pode incentivar pessoas a mudarem rotinas diárias, trocando o automóvel pela caminhada ou bicicleta. As cidades precisam disto, o planeta depende disto, a própria saúde física e mental das pessoas exige isto pra já, mas a grande barreira a ser vencida não está fora das pessoas, mas dentro delas.

    Inaudible Scream

    foto: The Foamy Green

    Mudar hábitos significa passar por 3 fases distintas:

  • adquirir conhecimento
  • mudar de atitude e
  • mudar de comportamento.
  • Primeiro, as pessoas precisam ser convencidas racionalmente, com argumentos lógicos, explicações, números, conhecer os benefícios de andar a pé ou de bicicleta e os males causados pela dependência do automóvel. Isto é facílimo de fazer, há dezenas de estudos científicos comprovando os benefícios da bicicleta e da caminhada, e outro tanto de estatísticas oficiais apontando a rua sem saída entupida de automóveis e mortos atropelados.

    Depois, o conhecimento adquirido precisa mudar sua atitude perante o problema. Atitude pode ser definida como "aquilo que estamos dispostos a fazer". No caso do trânsito, uma mudança de atitude pode ser percebida quando você disser ou pensar: não vou encontrar vagas, vou ficar no engarrafamento... bem que eu poderia ir de bicicleta. É uma disposição para agir de uma maneira e não de outra. Esta fase passa por caminhos psicológicos mais densos, que exigem uma percepção diferente da realidade. Hoje todo mundo tem uma atitude positiva com relação às bicicletas, até mesmo os governos e prefeituras.

    Ainda assim, parece ser tão difícil que as pessoas nas ruas e as pessoas dentro dos governos mudem seus hábitos e percepções e adotem a bicicleta como solução para sua vida e para nossas cidades. Na verdade, isto exige uma mudança de comportamento. Atitude é intenção; o comportamento é ação. Se mudar de atitude já exige certas escavações psicológicas, mudar comportamento é algo extremamente bem mais complexo e profundo. O ditado popular diz com sabedoria que "é grande a distância entre intenção e gesto".

    As grandes tranformações fracassadas esbarram sempre em mudanças de comportamento, pois estas dependem da personalidade de cada pessoa, da imagem que cada um tem de si, dos estereótipos e das reações condicionadas, e dos sentimentos e emoções envolvidos no processo. Por exemplo, experimentar a sensação de liberdade e o prazer de pedalar é mais decisivo do que saber quantas toneladas de CO2 um carro lança no ar por mês. De outro lado, estereótipos como "bicicleta é para atleta" ou "de carro vou mais rápido" ou "não posso chegar suado no trabalho" são barreiras psicológicas quase intransponíveis se não forem confrontadas adequadamente. Ciclovias e bicicletários, por exemplo, não serão respostas satisfatórias para a necessária mudança de comportamento nestes casos.

    Learning to Ride

    foto: Rick Insane Diego

    Esta mudança virá como crianças pequenas aprendendo a pedalar: a bicicleta está ajustada e a rua livre, alguém do lado dá incentivo, apoio e segurança, mas, sem vencer medos e bloqueios internos, toda tentativa de mudar será frustante.

    11mar/090

    Estação Paraíso, Rio de Janeiro

    Há pouco mais de dois anos foi inaugurada a Estação Cantagalo do Metrô. Trata-se do último acesso a rede de trilhos antes do bairro de Ipanema. Desde antes da inauguração já se sabia que o local deveria ser integrado ao uso da bicicleta.

    Atualmente, com a recém inaugurada estação de bicicletas públicas, a Praça Eugênio Jardim, onde fica a Estação Cantagalo é uma espécie de paraíso para as bicicletas. Elas estão aos poucos tomando os espaços e refletem o uso crescente das magrelas. Excelente veículo para viagens curtas e perfeito para cruzar a cidade quando integradas ao transporte sobre trilhos.

    Iniciativa pública e empresas estão juntas fazendo a sua parte e trazendo melhorias a mobilidade urbana no Rio de Janeiro.

    Sinalização nos trens indicam que há um bicicletário,

    Bicicletário gratuito dentro da estação,

    Postes ao redor repletos de bicicletas,

    Bicicletário externo SulAmérica em ambas as saídas,

    e Bicicletas Públicas.