Vias Humanas

Foto Ray Lewis
A maneira de se transitar pela cidade tem um impacto direto sobre a maneira de enxergar o tecido urbano. Pode haver uma grande dissociação do entorno, ou um grande envolvimento. Vai depender apenas da força motriz e da velocidade.
Vias expressas são comumente vistas como separadas do restante da cidade. Nada mais natural, pois foram construídas apenas como ligação entre locais e não como um espaço que valesse a pena ser percorrido.
Calçadas e ruas com intenso trânsito de pedestres e ciclistas, no entanto, apresentam uma riqueza de usos que integra os elementos vivos aos construídos.
No âmbito individual, a cidade para quem caminha e pedala apresenta uma dinâmica muito mais interessante. O contato e a interação humanas são um elemento primordial que dá vida aos prédios e vias de circulação de uma cidade.
Aos poucos os caminhos vão ficando mais claros e a promoção da qualidade de vida por meio de uma cidade mais acessível e adequada as pessoas tornar-se há não só uma iniciativa individual, mas pública.
Abaixo o exemplo da área de lazer dominical em Bogotá, na Colômbia. O espaço público formado por quilômetros de avenidas em toda a cidade são tomados por ciclistas, patinadores e pedestres. Uma outra cidade, ainda que somente aos domingos e feriados.

Foto Oscar Diaz
- A Liberdade da Propulsão Humana - Kevin Lynch e outras reflexões sobre a cidade.
- Calçadas e Ciclovias (apocalipsemotorizado)
Símbolo de Liberdade
Bicicleta:
A bicicleta aparece freqüentemente nos sonhos do imaginário moderno. Ela evoca três características:
a) trata-se de meio de transporte movido pela pessoa que dele se utiliza, ao contrário de outros veículos que são movidos por força alheia. O esforço individual e pessoal afirma-se, com a exclusão de toda e qualquer outra energia a fim de determinar o movimento para frente;
b) o equilíbrio é assegurado somente pelo movimento para a frente, exatamente como na evolução da vida exterior ou interior;
c) só uma pessoa de cada vez pode montar na bicicleta. Essa pessoa, portanto, faz o papel de cavaleiro único ( o tandem, ou bicicleta de dois assentos, é um outro caso).
Como o veículo simboliza a evolução em marcha, o sonhador monta no seu inconsciente e vai adiante por seus próprios meios, em vez de meter os pés pelas mãos (fr. perdre les pédale - perder os pedais - i.e., descontrolar-se ou confundir-se) por inércia, neurose ou infantilismo. Pode contar consigo mesmo e assumir sua independência. Assume a personalidade que lhe é própria, não estando subordinado a ninguém para ir aonde lhe aprouver.
Nos sonhos, raramente a bicicleta indica uma solidão psicológica ou real, por excesso de introversão, de egocentrismo, de individualismo, que impeça a integração social: ela corresponde a uma necessidade normal de autonomia.
Foto Zé Lobo
Dicionário de Símbolos. Jean Chevalier e Alain Gheersbrant. José Olympio Editora - 6ª Edição - 1992.
Informativo Bimestral 11

Parcerias, palestras, viagens, produtos, pedaladas. A Transporte Ativo girou muito nos últimos dois meses.
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Um Ciclista Brasileiro na Europa
A convite do I-Ce (Interface for Cycling Expertise) uma delegação brasileira esteve presente no Velo-City 2007 em Munique, na Alemanha. Após a conferência a viagem prosseguiu de trem até Utrech na Holanda. A cidade é sede tanto do I-Ce quanto da Fietsersbond, a União de Ciclistas da Holanda.
A viagem deixou saudades a quem esteve por lá e trouxe esperança aos que ficaram por aqui.
Cada dia mais e mais cidadãos europeus preferem a bicicleta. Para que esse comportamento seja replicado mundo à fora, a educação dos usuários das vias é um passo fundamental. Devagar e sempre grandes mudanças foram e continuam sendo implementadas. Miremos nos exemplos tão bem sucedidos.
Vale acompanhar o fotolog do Zé Lobo, presidente da TA. Foram mais de 1700 fotos na viagem e aos poucos elas vão sendo postadas por lá.
Uma Bicicleta Estilosa começa a série. Depois:
- Fixa
- Cargueira
- Entrada de escola
- Sinal Fechado em Utrecht (que ilustra esse post)
- Electra
- Chique Pedalando
- Bicicletas Públicas
- ...mais
Proteção as Idéias

Escafandro e Bicicleta - foto zero g
Um novo texto contra o uso obrigatório do capacete está disponível no banco de dados da Transporte Ativo. O autor é Colin Clarke da organização inglesa Cyclists Touring Club.
O documento reforça os argumentos de que os malefícios da obrigatoriedade não compensam os benefícios gerais para a sociedade. Trata-se de colocar o uso do capacete dentro da esfera de decisão de cada ciclista, já que obrigar a todos, diminui o uso da bicicleta o que acarreta danos a saúde da população em geral.
Naturalmente que para a prática esportiva o capacete é um item mais do que recomendado, mas no dia-a-dia, o uso da bicicleta deve ser pensado para que todos que pedalam possam desfrutar livremente do espaço público das ruas, em segurança. Sabe-se que a melhor maneira de dar mais segurança aos ciclistas é com cada vez mais bicicletas nas ruas. O que necessariamente implica na consolidação de incentivos e facilidades aos usuários.
> The Case against bicycle helmets and legislation - Colin Clarke
> No Blog:
- Capacetes e Segurança
- Capacetes e Cabelos
- Uso do capacete
> Bicycle Helmet Safety Institute (Organização Norte Americana)
Publicidade e Realidade
Publicidade antiga de bicicleta - Cortesia elliottzone
O aquecimento é global, mas o que podemos fazer? Essa é a dúvida que permeia um anúncio feito para os cinemas ingleses que visa conscientizar a população da importância do uso da bicicleta no dia a dia.
Confira a versão de 2 minutos do vídeo:
Massa Crítica em Vancouver - Foto Famewhore
Por diversos motivos, a realidade já nos brinda com bravos ciclistas que rotineiramente tomam as ruas das cidades ao redor do mundo. Mostram hoje, na prática, que uma nova mobilidade urbana é possível.
> Seja um Ciclo-Herói (cyclehero.com)
> O mundo é nosso! - (apocalipsemotorizado.blogspot.com)
> Massa Crítica (no blog)
Alegria Alemã

Foto Hans van Reenen
Um grupo de geógrafos alemães mantém o Radlust, que eles traduzem como "a alegria de pedalar". Em bom português, trata-se de uma iniciativa de promoção ao uso da bicicleta em terras germânicas.
A idéia é fazer uma publicidade do bem. Belas imagens somadas a informações simples e diretas que divulguem para o maior número de pessoas o enorme prazer de pedalar.
Há uma série de cartazes traduzidos para o inglês e que podem ser baixados em formato pdf. Vale a pena conferir. É a "publicidade verdade" capaz de anunciar vantagens sem ter de omitir "danos colaterais" do produto anunciado. Afinal, todo ciclista sabe que a mais grave conseqüência do uso constante da bicicleta é querer pedalar cada vez mais.
Pedalar.... é a revolução por uma vida melhor na cidade.
(...) por menos poluição e um clima (global) de conforto.
> Radlust.info
Publicidade Ciclística (em inglês)
Ciclo-Reunião
No último sábado a Transporte Ativo pedalou pelo Rio de Janeiro com dois ilustres amigos. Um pouco de turismo, um pouco de diversão. Mas acima de tudo, uma reunião de trabalho que mostrou a Cidade Maravilhosa por um ângulo diferente, a visão de ciclista.
Em destaque na foto Jonas Hagen do ITPD e Robert Chapman da Clinton Foundation. Ambos diretamente envolvidos na promoção de cidades sustentáveis.
O Rio de Janeiro já foi cantado em verso e prosa, mas pedalar por suas ruas e ciclovias é acima de tudo um prazer que mostra a seus moradores e visitantes que a melhor maneira de se vivenciar as maravilhas urbanas é sobre duas rodas movidas a pedal.






