Para quem são feitas as ruas

15 de Março de 2010 @ 23:58 por João Lacerda

Arrancada Infantil

O que nossas ruas são hoje, é resultado de decisões tomadas no passado. O que faremos com o espaço público de circulação em nossas cidades é tarefa para o presente.

No mês de fevereiro, esteve no Rio de Janeiro, à convite do ITDP, o arquiteto Michael King. Ele falou sobre as mortes no trânsito, e foi enfático ao declarar que para reduzir o número de mortos, tem de haver reduções no limite de velocidade do trânsito motorizado. Um pequeno diálogo imaginário ajuda a ilustrar a idéia.

- Você deixaria seu filho de 7 anos atravessar a rua para ir a escola? Então: quais as medidas que precisam ser tomadas para permitir que uma criança de 7 anos possa atravessar a rua?

- Projetar conversões que se adaptam a caminhões proporcionam que automoveis possam fazer o giro a 43km/h. É esta a velocidade que gostaríamos que um automóvel realizasse uma curva em qualquer lugar?

Outras questões ficaram no ar: Porque nos cruzamentos da cidade do Rio de Janeiro as travessias de pedestres estão recuadas da esquina se os pedestres não fazem desvios?

Como parte do workshop, King visitou, com diversos técnicos da prefeitura do Rio, a Lapa e os arredores da Central do Brasil, lugares com um enorme fluxo de pedestres. Espera-se que trabalhadores e boêmios sejam beneficiados.

Com informações do site do ITDP (em inglês) e do blog Urbanismo e Transporte.

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Combustíveis e ladrões de bicicleta

12 de Março de 2010 @ 23:19 por João Lacerda

O vídeo acima não é novo e mostra apenas quão prazeroso é ganhar uma inútil corrida do iogurte contra a gasolina. Feito pelos irmãos Neistat, os mesmos que demostraram quão fácil é roubar sua própria bicicleta com as mais variadas ferramentas.

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Esporte e o futuro das cidades

11 de Março de 2010 @ 23:26 por João Lacerda

Roterdã é uma grande metrópole européia, com mais de 6,7 milhões de habitantes na sua região metropolitana, ainda assim, o centro da cidade tem ao redor de 500 mil habitantes desde 1925. Foi cidade que se reinventou e superou diversidades ambientais e a guerra que colocou tudo abaixo em 1940.

No entanto o passado pertence aos livros de história e uma cidade só se mantém ao longo do tempo quando seus administradores também sabem manter os olhos no futuro. A bicicleta não é só moda passageira, mas representa a qualidade de vida das cidades que irão manter sua relevância econômica e política.

A largada do Tour de France, ou le Grand Départ é o tema por trás de um vídeo promocional para promover Roterdã. A bicicleta e seus diversos usos em uma cidade que irá ser tomada pelas velozes máquinas do asfalto em uma prova competitiva de importância mundial.

Os atletas internacionais tornam-se menores diante das pedaladas cotidianas, que definem o caminho que de toda uma cidade em direção ao futuro que almeja.

Via Copenhagenize.

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Alta potência sonora

10 de Março de 2010 @ 23:10 por João Lacerda

Ao juntar a independência da bicicleta com a potência de auto falantes, jovens em Nova Iorque criaram mais uma das inúmeras “tribos” ciclísticas. Em breve irão se tornar um documentário. Não é idéia nova, mas certamente somente em bicicleta certas características humanas tem espaço para florescer.

Bicicletas com potência sonora são diversão garantida para alguns, enquanto outros preferem fazer música sobre suas personalizadas máquinas.

Fazer amigos pedalando e amigos que pedalam é atividade cotidiana. Grandes teorias e a solução para todos os problemas das cidades podem estar a apenas uma pedalada de distância, já que sobre rodas e em movimento conversas afloram, fluem. Ainda assim, uma pedalada costuma ser apenas uma pedalada, solitária ou em boas companhias. Com ou sem música.

A bicicleta carrega sempre a liberdade, por mais pesada que esteja. É ferramenta que só faz sentido quando trabalha em sintonia com as pessoas.

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Operação Limpa Brasília

9 de Março de 2010 @ 23:05 por Denir

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O trânsito é um sistema complexo, que não se resume a conceitos bidimensionais simples como tempo de deslocamento, fluxo de veículos (quantidade/tempo) e espaço para vagas.

É preciso considerar questões subjetivas como atratividade, conforto, beleza, principalmente quando se fala em calçadas e espaço para pedestres.

Andar a pé vai muito além do tempo gasto no percurso, pois caminhar é o encontro mais direto entre as pessoas e o espaço público, entre nós e a cidade que nos abriga e condiciona nossa existência.

Para o pedestre, o tempo gasto num trajeto geralmente não muda, caminhar não causa engarrafamento. As distâncias geralmente não se encurtam, pois, embora digam que o pedestre tem um trajeto “errante”, na verdade ele escolhe o caminho mais curto e aprazível dentro das possibilidades. Ao contrário dos carros em canaletas pré-estabelecidas, o andar do pedestre é um sistema complexo feito de decisões simples tomadas a cada segundo.

Por isto, é fundamental que políticas de trânsito considerem questões que não são medidas com réguas ou relógio. Além de levar de um lugar a outro, calçadas precisam ser agradáveis e convidativas. Queremos andar num lugar bonito.

Infelizmente, isto tem sido rotineiramente negligenciado nas políticas urbanas brasileiras. A culpa não é só dos motoristas que usam a calçada como estacionamento. O poder publico cuida mal das calçadas, que são mal construídas e mal conservadas, quando existem. A iniciativa privada por vezes usa as calçadas como espaço privado, mas por tradição não considera que também deveria cuidar delas. Se todos fizessemos nossa parte, a cidade seria melhor.

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Com bicicletas em ônibus

4 de Março de 2010 @ 20:35 por Denir

bicicleta em onibus
Em muitos países do mundo, destacando Europa e Estados Unidos, o cicloturismo é uma atividade consolidada há muitas décadas. Aqui no Brasil, seguindo a tendência mundial, o cicloturismo tem conquistado cada vez mais adeptos e se populariza de forma cada vez mais rápida. A Estrada Real e o Circuito Vale Europeu, ambos com apoio do Governo Federal e dos governos de Minas Gerais e Santa Catarina, respectivamente, e da iniciativa privada, mostram que o cicloturismo no Brasil encontra-se em estágio de amadurecimento.

Pesquisa realizada pelo Clube de Cicloturismo em 2008 mostra que 40% dos cicloturistas utiliza o ônibus como transporte complementar durante suas viagens de bicicleta. Para o cicloturismo avançar ainda mais em nosso pais, com valorização e respeito ao turista de bicicleta, alguns entraves precisam ser eliminados, e o transporte da bicicleta em ônibus é um destes empecilhos.

A legislação brasileira é confusa no que diz respeito ao transporte de bicicletas em ônibus intermunicipais e interestaduais. Há um entendimento de que a bicicleta não se enquadra na definição de bagagem pessoal, só podendo ser embarcada nos ônibus como encomenda. Mas o embarque como encomenda somente pode ser realizado se “devidamente acompanhado de documentação fiscal”. Esta exigência choca-se com o Código de Trânsito, que não obriga o ciclista a andar com a nota fiscal de sua bicicleta.

O resultado deste emaranhado jurídico é que, na prática, cada empresa de transporte decide arbitrariamente o que fazer. O problema é tão grave que são conhecidos casos de ciclistas que foram proibidos de embarcar para viajar, pois a empresa de ônibus não aceitou o embarque da bicicleta nem como objeto pessoal nem como encomenda (por não haver nota fiscal).

Para solucionar o problema, o Clube de Cicloturismo do Brasil, em parceria com a Transporte Ativo, ajudou a elaborar o Projeto de Lei 6824/2010, que foi apresentado no início deste ano pelo Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O projeto já está sendo analisado na Câmara dos Deputados pelas Comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para ver o Projeto de Lei na íntegra e acompanhar seu andamento, acesse a página da Câmara dos Deputados.

Crônica das onze horas

3 de Março de 2010 @ 23:40 por João Lacerda

Stencil Chic

texto: Verônica Mambrini

Começou com a ciclista toda feliz porque o outono teve saudade e derrubou mais cedo o calor insuportável que andava fazendo na cidade. E porque ela voltou a pedalar depois de duas semanas meio que longe da bicicleta, o que já estava deixando-a um pouco mal humorada.

E por causa de uma certa preguiça, ela resolveu fazer o caminho mais plano, com direito a contravenções, porque pegava uns bons trechos de calçada. E ainda por cima, resolveu pedalar pela primeira vez com o iPod no ouvido, com a trilha de “500 dias com ela”. Sorrindo, se assustou quando percebeu que estava conseguindo pedalar de pé na bike depois de dois meses tentando desajeitadamente.

No caminho, cruzou com uma família na calçada, cheia de filhos pequenos, e enquanto o pai dizia para o filho menorzinho e todo ranhento “cuidado com a bicicleta”, ela reduziu e sorriu para o
menino, que sorriu de volta com a carinha toda melecada.

Dessa vez não foi xingada por ninguém, mas quase teve uma colisão. Um moço de bicicleta vinha pela mesma calçada no outro sentido, e os dois desaleraram, se desviaram e sorriram, e ela quase ficou com pena de não ter batido porque ele tinha um sorriso tão bonito que ela teve vontade de conversar com ele.

Aliás, ela pensou, foram quatro ciclistas hoje. Todos com cara de que iam para algum lugar, de bagageiro com alforge e tudo, o que era incomum naquele percurso dela. E sorriu de novo pela companhia anônima nas ruas.

Chegou no trabalho às onze horas, com o cabelo cheio de pontinhas que ela adorava, que secador nenhum conseguia fazer, só o vento da bicicleta. Sobre a bike, deu bom-dia para sete pessoas, mesmo na cidade cinza, cheia de SUVs (um dos quais quase passou por cima dela um
pouco mais cedo) e policiais e agentes da CET semicegos.

Às vezes a vida podia ser bonita sem razão nenhuma.

Postado originalmente na Gata de Rodas.

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Onde se fabricam ciclistas

2 de Março de 2010 @ 10:37 por João Lacerda

Foi inaugurada a maior ciclovia paulistana, 14km ao longo da margem do rio Pinheiros. Entre a água e os trilhos do trem, a pintura vermelha é bem visível para os milhares de helicópteros que sobrevoam a cidade. Por isso e pelos ciclistas que já circulam a nova pista é iconica. Cartão postal de um ângulo desconhecido da cidade e que engloba a bicicleta, personagem de crescente importância na paulicéia.

Críticas foram feitas. Na inauguração, são apenas 2 acessos, um em cada extremo do trajeto. É pouco, muito pouco e praticamente inviabiliza o uso da pista como meio de transporte. O horário restrito pela falta de iluminação é outro ponto, só será possível pedalar entre as 6 da manhã até as 18 horas. Mas felizmente são novos problemas que estão exatamente uma pedalada a frente.

Já no primeiro fim de semana, os ciclistas tomaram as pistas, carentes de espaços para desfrutar a cidade. Serão esses ciclistas e a repercurssão positiva na mídia que farão com que esse espaço seja ampliado, os acessos construídos e a malha cicloviária da cidade aumente para cada vez mais melhorar a circulação de quem já pedala e de quem quer pedalar.

Reverter o curso da urbanização centrada no automóvel particular é um trabalho complexo. E tal e qual manobrar um navio transatlântico, é preciso que o capitão dite o rumo e os tripulantes visualizem e sonhem com o novo destino. Construir cidades para pessoas passa por angariar apoio político e uma opinião pública favorável.

São Paulo deve muito aos que já conquistam as ruas diariamente pedalando, mas a cidade precisa aprender a “fabricar” mais ciclistas e espaços de qualidade para a circulação de bicicletas é uma excelente maneira de atingir o objetivo. Tudo para que, devagar e sempre, cumpra sua verdadeira função, habitat artificial das frágeis criaturas humanas.

Mais opiniões sobre a nova ciclovia do rio Pinheiros:
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- O que seria melhor: abrir o espaço já ou esperar mais dois anos para ‘talvez’ ter ciclovia inteira?

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445 anos de belezas naturais

1 de Março de 2010 @ 09:53 por João Lacerda

Pedra da Gávea, através dos raios

Cidade desde sempre rica em belezas naturais que aos poucos descobre como facilitar a vida dos que usam o melhor meio de transporte já inventado desde antes da Cidade Maravilhosa ser uma cidade. Parabéns Rio de Janeiro por mais esse aniversário de sua fundação e que muitas bicicletas continuem povoando suas ruas, avenidas, ciclovias e ciclofaixas.

E porque não, o Samba do Avião:

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Diversão para o fim de semana em SP

27 de Fevereiro de 2010 @ 10:18 por João Lacerda

Festival Ciclobr

Vai ter bike-polo, bikester e prova do cotonete. Vale passar pelo Parque das Bicicletas a partir das 9h desse sábado, 27 de fevereiro e no domingo 28.

Quanto as definições, bike-polo é um pouco como o tradicional polo, mas com bicicletas no lugar dos cavalos. Bikester é um campeonato de arrancada com bicicletas infantis em que não valer se levantar do selim. Já a prova do cotonete é similar ao desafios medievais em que cada cavaleiro tinha que derrubar seu adversário com uma lança. Nesse caso, novamente saem os cavalos e no lugar das lanças, tubos de papelão com luvas de boxe.

Haverá também infraestrutura para os espectadores com direito inclusive a manobrista de bicicletas no local.

Mais informações sobre o Festival Ciclobr.